Franquias usam escala para reduzir taxas de cartão e ampliar margem de lucro
Redes centralizam pagamentos, crédito e recebíveis por meio de finanças embarcadas e transformam custos financeiros em ganho de competitividade
O crescimento do mercado de franquias no Brasil tem aberto espaço para uma estratégia que vai além da expansão de lojas: a centralização dos serviços financeiros para reduzir custos operacionais. Em vez de cada franqueado negociar individualmente taxas de cartão, crédito e outros serviços bancários, redes de franquias começam a utilizar soluções de finanças embarcadas (embedded finance) para ganhar poder de barganha e melhorar a rentabilidade das unidades.
O movimento ocorre em um momento em que o setor registra números recordes. Em 2025, as franquias brasileiras faturaram 301,7 bilhões de reais, distribuídos em mais de 202 mil operações e 3.297 redes. Apesar da escala, boa parte das negociações financeiras ainda acontece de forma descentralizada, o que limita o poder de negociação dos franqueados.
Segundo Letícia Moschioni, cofundadora e sócia da Finscale, esse cenário faz com que muitas redes deixem de capturar valor em uma operação financeira que já acontece diariamente. “Quando uma rede conhece o faturamento, a recorrência e o comportamento financeiro dos seus franqueados, ela passa a ter um ativo que pode ser usado para reduzir custos, aumentar a eficiência e criar novas fontes de receita.”
A executiva afirma que o primeiro passo é resolver problemas concretos da operação, como taxas elevadas de adquirência, inadimplência no pagamento de royalties ou dificuldade de acesso a capital de giro. A partir dessa estrutura, serviços financeiros deixam de ser apenas um custo e passam a fortalecer o próprio negócio.
Um dos impactos da centralização aparece na arrecadação de royalties pelas franqueadoras. Em vez de depender de boletos ou transferências realizadas pelos franqueados, sistemas integrados permitem que a parcela destinada à rede seja automaticamente separada durante cada venda realizada.
A principal vantagem, no entanto, está na negociação coletiva dos serviços financeiros. De acordo com Antônio Castilho, CEO da PlugZ, um franqueado que fatura entre 150 mil reais e 200 mil reais por mês costuma negociar sozinho com instituições financeiras e acaba recebendo condições semelhantes às de qualquer pequena empresa.
Quando essas operações são consolidadas em uma única plataforma, o cenário muda. Segundo a empresa, o ecossistema da PlugZ reúne um volume financeiro de aproximadamente 617 milhões de reais por mês, o que amplia significativamente o poder de negociação junto às adquirentes.
Na prática, isso pode reduzir as taxas cobradas nas vendas por cartão de crédito de cerca de 3,8% para patamares próximos de 2,4%. Embora a diferença pareça pequena, o impacto sobre a margem é significativo. Segundo Castilho, um franqueado com lucro mensal de 20 mil reais pode aumentar esse resultado para cerca de 23 mil reais ao combinar economias em adquirência, energia e seguros negociados de forma coletiva.







