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Francesa Dassault é escolhida para venda de 126 caças Rafale à Índia

Por Dibyangshu Sarkar - 31 jan 2012, 13h53

A Índia escolheu o Rafale da francesa Dassault em uma licitação de 12 bilhões de dólares para a compra pelo governo do país de 126 caças, o que representaria o primeiro êxito de exportação para esta aeronave francesa.

A Dassault está bem perto de vender pela primeira vez seus aviões Rafale para o exterior, superando o consórcio Eurofighter em um contrato bilionário.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, saudou a decisão do governo indiano de “escolher o avião francês para entrar em negociações exclusivas com a Dassault”, indicando que a negociação do contrato “incluirá importantes transferências de tecnologia garantidas pelo Estado francês”.

A licitação, aberta em 2007, é uma das maiores já lançadas pela terceira maior potência econômica da Ásia, e uma das maiores do momento no setor de defesa aérea.

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“Está confirmado que a Dassault ganhou o contrato”, disse uma fonte do governo indiano à AFP, explicando que o grupo francês fez uma oferta melhor.

Confirmando o êxito francês, o secretário de Estado francês para Comércio Exterior, Pierre Lellouche, ressaltou, no entanto, que o contrato precisa ser concluído.

“Ganhamos o contrato, mas algumas coisas ainda precisam ser concluídas” e “estamos em uma fase de negociações exclusivas”, declarou Lellouche à rádio francesa BFM. “É uma boa notícia e a França precisa de boas notícias neste momento”, afirmou.

A licitação atraiu as gigantes mundiais do setor em uma competição acirrada. O Rafale e o Typhoon, da Eurofighter, foram pré-selecionados em abril, deixando fora de jogo as americanas Boeing e Lockheed Martin, a sueca Saab Gripen e a russa MiG.

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Na Índia, o candidato que oferece o menor preço geralmente leva o contrato.

O contrato estipula que a Índia comprará diretamente 18 aviões, enquanto que os outros 108 serão construídos no país asiático.

Em reação ao anúncio, o consórcio europeu Eurofighter manifestou sua decepção, frisando que “respeita” a decisão de Nova Délhi.

Em um breve comunicado, o consórcio lembrou que o contrato ainda não foi assinado.

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“Embora não se trate no momento de uma assinatura de contrato e que negociações ainda devam ser realizadas, estamos decepcionados. De qualquer forma, respeitamos a decisão do Ministério indiano da Defesa”, indica o texto.

“Com o Eurofighter Typhoon, nós oferecemos à força aérea indiana o avião de combate mais moderno disponível”, acrescenta.

O consórcio indica que ainda vai “avaliar a situação com as empresas europeias parceiras e com seus respectivos governos”.

A ação do grupo Dassault disparou cerca de 20% na Bolsa de Paris após o anúncio do contrato.

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Em dezembro do ano passado, o ministro francês da Defesa, Gérard Longuet, chegou a afirmar que a produção do caça Rafale seria interrompida caso não houvesse pedidos estrangeiros.

Alguns meses antes, em setembro, a presidente brasileira, Dilma Rousseff, havia dito ao seu colega francês Nicolas Sarkozy, durante um encontro entre ambos em Nova York, que o Brasil “não estava em condições de se comprometer com a compra de aviões de guerra”.

O Rafale disputa com o americano F-18 E/F, da Boeing, e o Gripen NG, da Saab, uma licitação pela compra por parte do governo brasileiro de 36 caças para substituir a atual frota da Força Aérea Brasileira (FAB) a partir de 2016.

O contrato para a venda dos caças pode chegar a R$ 6,7 bilhões.

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Dos três concorrentes do F-X2, o Rafale foi o único a ter oferecido uma proposta de transferência de tecnologia irrestrita ao Brasil e às empresas envolvidas na fabricação.

A licitação foi aberta durante o governo Lula. O ex-presidente chegou a manifestar a sua preferência pela aeronave francesa.

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