ASSINE VEJA NEGÓCIOS

França aprova lei que multa Shein e Temu e aperta cerco ao fast fashion

País é o primeiro da Europa a criar punições específicas para varejistas de moda ultrarrápida; texto prevê multas por peça

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jun 2026, 17h14 | Atualizado em 29 jun 2026, 17h15
França aprova lei que multa Shein e Temu e aperta cerco ao fast fashion Priorizar nos meus resultados Google

A França aprovou nesta segunda-feira (29) uma lei que cria punições específicas para empresas de ultrafast fashion, como Shein e Temu, tornando-se o primeiro país europeu a atacar diretamente o modelo de negócios das plataformas chinesas de roupas de baixo custo.

A legislação prevê multas para empresas que lançam grandes volumes de novos produtos em curtos intervalos de tempo e a preços considerados incompatíveis com os custos de produção e reparo das peças.

O texto também proíbe publicidade e ações com influenciadores digitais para as empresas enquadradas na nova categoria.

A medida amplia a ofensiva francesa contra o crescimento acelerado do comércio eletrônico chinês e pode servir de modelo para outros países da União Europeia.

Continua após a publicidade

Multas aumentam até o fim da década

Pela nova legislação, empresas classificadas como ultrafast fashion poderão ser multadas em até 6 euros por peça comercializada já neste ano. O valor subirá gradualmente até atingir 10 euros por item em 2030.

O texto estabelece critérios para identificar empresas cujo modelo de negócios se baseia na oferta contínua de milhares de novos produtos, em ciclos extremamente curtos e com preços muito baixos.

Continua após a publicidade

A expectativa do governo francês é desestimular o consumo de roupas descartáveis e reduzir a geração de resíduos têxteis.

Pressão ambiental impulsiona mudança

A aprovação da lei ocorre em meio ao aumento das preocupações ambientais relacionadas à indústria da moda.

Continua após a publicidade

Segundo a Agência Europeia do Ambiente, a União Europeia gerou quase 7 milhões de toneladas de resíduos têxteis em 2022, o equivalente a cerca de 16 quilos por habitante.

Autoridades francesas afirmam que o ritmo de produção das plataformas de ultrafast fashion estimula o consumo excessivo, reduz a vida útil das peças e aumenta a pressão sobre cadeias de produção e descarte.

Continua após a publicidade

Europa amplia ofensiva

A iniciativa francesa faz parte de um movimento mais amplo no continente para aumentar a regulação sobre plataformas chinesas.

Na semana passada, Alemanha, França e Holanda defenderam que a Comissão Europeia endureça as regras para empresas de ultrafast fashion em toda a União Europeia.

Continua após a publicidade

Na Itália, parlamentares apresentaram um projeto que prevê classificação ambiental para roupas, restrições à publicidade e cobrança sobre encomendas de baixo valor enviadas de fora do bloco, embora a proposta ainda dependa de aprovação.

Shein e Temu contestam proposta

A Shein afirmou que ainda analisa a nova legislação e voltou a rejeitar a classificação de ultrafast fashion.

Segundo a empresa, seu modelo de produção em pequenos lotes, ampliados apenas quando há demanda comprovada, reduz desperdícios e representa “parte da solução, não do problema”.

A Temu, por sua vez, sustenta que atua como um marketplace que conecta consumidores diretamente aos fabricantes, modelo que, segundo a companhia, permite oferecer preços mais baixos.

A Comissão Europeia também manifestou ressalvas a alguns pontos da legislação francesa, especialmente quanto aos critérios para definir quais empresas serão enquadradas como ultrafast fashion e às restrições impostas à publicidade.

Pressão sobre varejo tradicional

A expansão da Shein e da Temu transformou o mercado francês de moda nos últimos anos.

Com preços agressivos e renovação constante de coleções, as plataformas conquistaram consumidores e aumentaram a pressão sobre redes tradicionais do varejo europeu.

Nos últimos meses, porém, a atuação da Shein passou a enfrentar resistência crescente na França.

A varejista encerrou recentemente sua parceria com a tradicional loja de departamentos BHV Marais, poucos meses após inaugurar seu primeiro ponto de venda físico permanente no país.

A aprovação da nova lei reforça a estratégia do governo francês de combinar políticas industriais e ambientais para conter o avanço do modelo de ultrafast fashion, cuja regulamentação ganha força em diferentes países europeus.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).