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Frágil estrutura montada pelo FMI para Grécia cambaleia após eleições

A frágil estrutura montada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para a Grécia está cambaleante após as eleições nesse país da Eurozona, na qual o povo expressou sua forte rejeição aos ajustes.

Impopular entre os gregos, o FMI foi alvo de ataques dos partidos opostos às medidas de austeridade, que obtiveram altas margens de votos nas legislativas de domingo.

Os partidos governamentais com os quais o FMI fez acordos para aplicar um programa de reformas econômicas e de rigor orçamentário foram incapazes de formar um novo governo de coalizão na segunda-feira.

Para os analistas financeiros, que em geral apóiam ao FMI, a eleição grega foi um balde de água fria.

Lefteris Farmakis e Dimitris Drakopoulos, da corretora japonesa Nomura, classificaram como “decepcionantes” os resultados da eleição, com “uma fragmentação sem precedentes do cenário político, que abre a porta para a instabilidade”.

“Dificultou ainda mais o que já era difícil”, estimou Gillian Edgeworth, economista do banco italiano UniCredit, pois desde o momento em que se forma um governo, “imediatamente será confrontada a uma longa lista de tarefas impulsionadas pela Troika” (FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).

O Fundo acordou em março com a Grécia um novo empréstimo, de 28 bilhões de euros, após 30 bilhões de euros concedidos em maio de 2010, dois quais foram entregues dois terços.

No início, após o desembolso de um primeiro empréstimo de 1,650 bilhões de dólares em março, o FMI deve examinar a possibilidade de desembolsar uma nova leva em junho. Para Edgeworth, no entanto, há uma “forte probabilidade” de atraso.

Em Washington, o FMI aguarda. “Entraremos em contato com o novo governo assim que ele se formar. Por hora, não faremos outros comentários”, disse na segunda-feira Conny Lotze, porta-voz da instituição.

Os analistas do Barclays avistam outra dificuldade. Segundo eles, “será mais provável uma renegociação de certos termos do programa UE-FMI, incluindo as medidas de reequilíbrio orçamentário”.

Por outro lado, os termos desse acordo exigem longos meses de discussões; por outro, tudo indica que não há vontade do Fundo de modificar um programa econômico que foi tão difícil de ser elaborado.

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, se absteve nesta segunda-feira em Zurich de comentar os comícios grego, mas disse que esperava reformas de Atenas para liberalizar a economia, como no protegido setor de transporte, pois “de fato custa menos importar um tomate da Holanda que comprar um de um produtor grego”.

Segundo Lagarde, os países com uma pesada dívida pública “não têm outra eleição” a não ser “mover-se rápido” para diminuir seu déficit orçamentário.

Para Mark Weisbrot, economista do Center for Economic and Policy Research de Washington, e crítico do FMI, a instituição “irá adaptar sua estratégia aos desenvolvimentos políticos”.

“Eu realmente não acredito no que eles estão fazendo, mas não tenho muito a dizer. Os europeus têm a palavra sobre a política econômica da Grécia”, completou.