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FMI reduz previsão para o crescimento mundial em 2012 para 3,3%

A redução da projeção do FMI, antes estimada em 4%, aconteceu por causa da tensão na zona do euro

Por Da Redação - 19 jan 2012, 13h25

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu para 3,3% a previsão de crescimento da economia mundial para 2012, ante os 4% projetados anteriormente. A estimativa para 2013 também passou por mudanças e sofreu baixa de cinco décimos, indo para 4%. As previsões figuram em seu último relatório de ‘Perspectivas Econômicas Mundiais’, que será divulgado na próxima terça-feira, mas ao qual teve acesso a agência de notícias italiana Ansa.

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De acordo com o FMI, o agravamento da crise da dívida na União Europeia foi a principal causa da redução nas projeções. Para a zona do euro, o FMI prevê retrocesso de 0,5% em 2012 (1,6 pontos percentuais a menos em relação às últimas estimativas) e um crescimento em 2013 de 0,8% (contra 1,5% previsto anteriormente). “A recuperação global está ameaçada pela cada vez maior tensão na zona do euro”, afirmou o FMI no relatório.

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Espanha e Itália são os países com a situação mais complicada. No caso da Espanha, o FMI revisou para baixo suas previsões para este ano e para o próximo, situando a economia espanhola durante esses dois anos em recessão, com uma contração de seu PIB de 1,7% e de 0,3%, respectivamente. Profunda também será, conforme o organismo, a recessão na Itália, com previsões de -2,2% em 2012 e de 0,6% em 2013.

“O desafio político mais imediato é o de restabelecer a confiança e o de pôr fim à crise da zona do euro, apoiando o crescimento”, disse o relatório. Segundo o FMI, o Banco Central Europeu (BCE) deveria seguir facilitando a liquidez e estar plenamente comprometido com a compra de títulos (de Estado) para contribuir para manter a confiança no euro.

Países emergentes puxam PIB mundial – Conforme o organismo liderado pela diretora-gerente Cristine Lagarde, as economias emergentes seguirão puxando o carro do Produto Interno Bruto (PIB) mundial neste e no próximo ano, com alta de 5,4% em 2012 (sete décimos menos) e de 5,9% em 2013 (seis décimos menos). Pela estimativa do FMI, o PIB brasileiro subirá 3% e 4% em 2012 e 2013, respectivamente.

Economia americana estável – Os Estados Unidos mantêm as mesmas previsões de crescimento de 1,8% para 2012, mas o FMI revisou para baixo em três décimos a estimativa para o ano que vem. A previsão é que a economia da primeira potência mundial aumente 2,2%em 2013.

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Política fiscal – O fundo reforçou a necessidade de as economias ao redor do mundo seguirem com os ajustes fiscais, em especial as avançadas, mas alertou que esse processo deve ocorrer dando suporte também ao crescimento e ao emprego. Até porque, em 2011, como o próprio FMI ressalta, os déficits fiscais caíram significativamente em muitas economias avançadas.

O FMI reconhece que se trata de um grande desafio. “Uma vez que os riscos para baixo aumentam, a política fiscal tem de andar num caminho estreito”, afirma. “Uma consolidação fiscal muito rápida em 2012 poderia exacerbar os riscos para baixo”, acrescenta o Fundo. Os países com espaço fiscal, portanto, devem reconsiderar o ritmo de ajuste no curto prazo. “Mas a consolidação fiscal no médio prazo continua prioridade”, diz o documento.

Segundo o FMI, os déficits nas economias avançadas caíram ao redor de 1% do PIB de um modo geral, graças, em grande parte, aos avanços feitos na Alemanha, onde o déficit recuou ao mesmo tempo em que houve resposta forte do lado de receitas e criação de emprego. A Espanha também mostrou mais progresso nos ajustes fiscais, enquanto França e Itália tiveram avanços mais “modestos”. Já na Grécia as autoridades devem aprovar novas medidas em relação à receita e aos gastos de modo a corrigir os “deslizes de suas políticas”.

Outras duas economias avançadas, Estados Unidos e Japão, ainda precisam deixar mais claras suas estratégias para redução da dívida no médio prazo, algo que o FMI já havia alertado em 2011. No caso do Japão, o país deve ser a única grande economia avançada a ter expansão fiscal em 2012, mas isso por causa dos custos com a reconstrução do país após os danos causados pelos terremoto e tsunami ocorridos no início de 2011.

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Segundo o Fundo, o Brasil tem adotado um mix de políticas fiscal e monetária contracíclicas diante da desaceleração da atividade econômica e já anunciou medidas fiscais para dar suporte à demanda e para conseguir cumprir a meta de superávit primário em relação ao PIB em 2012.

(Com Agência Estado e EFE)

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