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FMI corta previsão de crescimento do Brasil para 1% em 2014

Segundo o Fundo, o 'efeito Copa' não serviu para acelerar o avanço econômico; previsões de crescimento global também foram reduzidas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou nesta quinta-feira sua estimativa para o crescimento da economia global em 2014, por levar em consideração a desaceleração no início do ano nos Estados Unidos e na China, as duas maiores economias do mundo. Em atualização de seu relatório Perspectiva Econômica Global, o FMI informou que os países devem crescer, em média, 3,4% neste ano, 0,3 ponto porcentual abaixo do previsto em abril. O crescimento deve então acelerar a 4% no ano seguinte, inalterado ante a estimativa anterior.

Os emergentes também enfrentarão desaceleração, em especial o Brasil. Segundo o Fundo, o Brasil não vai sentir o ‘efeito Copa do Mundo’ e seu crescimento econômico para este ano foi fortemente revisado para baixo (em -0,6 ponto), com uma expansão de apenas 1%. “Os países emergentes, em particular os que têm debilidades internas e vulnerabilidades externas, podem sofrer choques com uma brusca degradação das condições financeiras e com saídas de capitais no caso de mudança de humor dos mercados financeiros”, acrescentou o FMI.

Esse cenário foi registrado no segundo trimestre de 2013, quando os investidores, desorientados, retiraram seus fundos dos países emergentes em meio a especulações sobre uma mudança de política monetária nos EUA. “Não penso em um caos financeiro maior, mas haverá turbulências”, prevê Olivier Blanchard, economista do Fundo.

Entre os Brics (grupo de emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), apenas a Índia escapou de ter suas estimativas reduzidas pelo FMI, com a confiança empresarial recuperando-se após as eleições no país.

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A Rússia também pesou sobre as estimativas gerais. Sua economia praticamente não deve crescer neste ano, devido a sanções e outros impactos da crise da Ucrânia.

Para essas projeções, o FMI calculou o crescimento do PIB usando novos parâmetros de paridade do poder de compra que foram divulgados neste ano, mostrando que a economia global cresceu de fato mais rapidamente nos últimos três anos do que o FMI havia previsto, especialmente nos mercados emergentes.

Como forma de tentar impulsionar o crescimento, bancos centrais dos Estados Unidos, Japão, zona do euro e Grã-Bretanha reduziram com força os juros para impulsionar o crescimento econômico e prometeram manter os níveis baixos por mais tempo para permitir que a recuperação seja sustentável.

Focos positivos na economia global, segundo o FMI, incluem a recuperação do crescimento no Japão, na Alemanha, na Espanha e no Reino Unido. Mas eles foram ofuscados pelo crescimento fraco nos Estados Unidos no primeiro semestre, além da desaceleração da demanda doméstica na China, cujo governo buscou reduzir a atividade de empréstimos e o mercado imobiliário esfriou.

(Com Reuters)