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FMI continua “cautelosamente otimista” com o Brasil

O fundo avalia também que o Brasil está entre os países exportadores para a China menos afetados por uma desaceleração de investimentos no país asiático

O Fundo Monetário Internacional (FMI) mantém sua avaliação “cautelosamente otimista” sobre a desaceleração de mercados emergentes, em especial em relação ao Brasil, motivada em grande parte pela crise internacional que leva alguns países da Europa à recessão. “Acredito que esse é um processo de pouso suave destes países (em desenvolvimento) e não se trata de pouso forçado”, destacou Abdul Abiad, subchefe da divisão de Estudos da Economia Mundial do Departamento de Pesquisas do FMI. Nesta quinta-feira, o Banco Central informou que reduziu sua previsão do crescimento do PIB para este ano de 2,5% para 1,6%.

“Esses países (em desenvolvimento), inclusive o Brasil, normalmente têm espaço para adotar políticas quando o crescimento da economia não está num patamar satisfatório”, acrescentou Abiad. Ele fez os comentários ao participar de entrevista coletiva em Washington para a apresentação dos capítulos analíticos do Panorama da Economia Mundial, que será divulgado pelo FMI no dia 9 de outubro.

O fundo avalia também que o Brasil está entre os países exportadores para a China menos afetados por uma desaceleração de investimentos no país asiático. Segundo o texto, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuaria cerca de 0,1 ponto porcentual caso a expansão da formação bruta de capital fixo (FBCF) chinesa caísse 1 ponto porcentual. “Grandes exportadores de commodities com as economias mais diversificadas, como Brasil e Indonésia, registrariam declínios menores de seu crescimento.”

De acordo com o documento, entre os países exportadores de commodities, o impacto maior seria registrado naqueles especializados na venda de minérios, com estruturas econômicas menos diversificadas e alta concentração de embarque de mercadorias básicas para a China. Segundo o FMI, o Chile registraria um impacto relativo quatro vezes maior do que o do Brasil, pois seu PIB diminuiria 0,4 ponto porcentual caso ocorresse a desaceleração de 1 ponto porcentual dos investimentos do país oriental.

Mas, segundo o FMI, os países exportadores que sentiriam maior impacto negativo da desaceleração de investimentos da China seriam vizinhos asiáticos que são fornecedores de peças e equipamentos para diversos segmentos industriais chineses.

Emergentes – Em relatório divulgado nesta quinta-feira, o FMI comentou a situação econômica dos demais países emergentes e mostrou que eles registraram na última década, pela primeira vez, expansão econômica mais robusta e recessões mais curtas do que os países ricos. A instituição disse ainda que este comportamento econômico melhor em países como o Brasil é fruto da experiência acumulada nos últimos 20 anos, e há razões para acreditar que continuará, a não ser que ocorra outra recessão mundial.

A América Latina e o Caribe têm sido exaltados nos últimos anos pelo Fundo como uma região que se recuperou de forma rápida da grande crise financeira de 2008. As boas políticas econômicas dos países emergentes representam 60% de seu êxito diante das crises recentes, e o restante se deve ao menor impacto dos choques internos e externos, calculam os especialistas. Eles chegaram a essa conclusão depois de revisar as estatísticas dos últimos 60 anos e, em particular, das últimas duas décadas.

Ao acumular reservas, manter uma política de luta contra a inflação e contra os desequilíbrios em conta corrente, assim como seguir uma política monetária flexível, esses países mantêm sua margem de manobra. “Para se proteger de choques futuros, essas economias terão que reconstituir suas defesas e restituir à política econômica a liberdade de ação necessária para reagir aos choques” acrescentaram os economistas.

O relatório explica ainda que “Existe um risco significativo de que as economias avançadas voltem a sofrer uma desaceleração marcada ou que voltem a surgir vulnerabilidades internas”, adverte o relatório, que considera 69 nações como emergentes. Mas ao mesmo tempo “há razões para ser otimista”, ressalta, já que “a margem de manobra (…) é mais ampla, graças à diminuição do nível de inflação e ao fortalecimento da posição fiscal e externa”.

(com Agência Estado e Agence France-Presse)