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Fluxo e presidente do Fed alimentam vaivém do dólar

Por Da Redação - 17 jul 2012, 17h46

Por Cristina Canas

São Paulo – O dia foi do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, que deu seu depoimento semestral sobre as condições da economia e política monetária dos Estados Unidos no Comitê de Bancos do Senado e foi ouvido pelos mercados financeiros do mundo inteiro. Primeiro, os investidores operaram na expectativa de que ele sinalizasse a adoção de uma nova medida de estímulo à atividade. Num segundo momento, mostraram-se decepcionados com a falta de indícios de que haverá uma ação no curto prazo. Por fim, retomaram certo otimismo diante da declaração de que o Fed está disposto a agir, tem instrumentos e perante o fato de Bernanke ter incluído um outro programa de compra de bônus, mais conhecido como relaxamento monetário quantitativo (QE, na sigla em inglês), entre as possibilidades.

No mercado doméstico de câmbio, o vaivém das expectativas refletiu-se em volatilidade e colocou o dólar a R$ 2,027 no fechamento, com perda de 0,44%, no mercado à vista de balcão. Na BM&F, o pronto encerrou o dia a R$ 2,025, com queda de 0,49%, e o contrato futuro de agosto negociava a moeda norte-americana a R$ 2,0275, com recuo de 0,64%, às 17h10.

Lá fora, o euro também oscilou. Às 17h16, valia US$ 1,2297, acima de US$ 1,2272 no fim da tarde de segunda-feira em Nova York, mas abaixo de US$ 1,2301 registrado logo cedo, quando as expectativas em relação ao pronunciamento de Bernanke estavam no auge do otimismo.

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Internamente, o destaque do dia foi o volume negociado. Segundo operadores, a movimentação foi ampliada por uma operação de saída de recursos pelo segmento financeiro que, junto com a frustração inicial com o discurso de Bernanke, ajudou a levar o dólar à máxima de R$ 2,040 no mercado à vista de balcão. Porém, nenhum dos profissionais ouvidos pela Agência Estado arriscou identificar os investidores envolvidos.

“Deu para perceber o movimento mais fortemente pelo cupom cambial (taxa de juros em dólar)”, explicou um especialista. Segundo ele, a taxa, que ficou em 0,93% no fim do pregão da véspera, chegou a bater máxima de 1,24% nesta terça-feira, e terminou o dia a 1,10%. Na clearing da BM&F, às 17h13, o volume registrado estava em US$ 2,9 bilhões.

Com o rompimento para baixo da marca de R$ 2,03, depois de melhoradas as expectativas no exterior e absorvida a saída de dólares, surgiu no mercado a percepção de que, se não houver notícia ruim nova no exterior, bem lentamente, o dólar caminhará para encostar em R$ 2,00. Se isso se confirmar, deve ser retomada a especulação de eventuais atuações do Banco Central. A conferir.

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