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Fluxo cambial fica positivo em novembro — mas segue no vermelho no ano

Entrada de dólares superou as saídas em 2,54 bilhões de dólares no mês passado; no ano, número está negativo em 3,48 bilhões de dólares; entrada de recursos trazidos pelo consórcio de Libra ajudou a conta a ficar no azul

Por Da Redação 4 dez 2013, 13h36

Novembro foi um mês de muita volatilidade do fluxo de entrada e saída de dólares no Brasil, mas o mês terminou com resultado positivo de 2,540 bilhões de dólares, informou o Banco Central, nesta quarta-feira. Na semana de 11 a 14 de novembro – dia 15 foi feriado – , as saídas de recursos superaram as entradas em 3,3 bilhões de dólares – o maior envio de dólares do ano, coincidindo com o período de envio de remessas de empresas multinacionais ao exterior devido ao fim do trimestre. Já na semana seguinte (18 a 22), o Brasil registrou o segundo maior fluxo positivo de dólares do ano em apenas cinco dias úteis, no valor de 4,5 bilhões de dólares, atrás apenas dos 6,5 bilhões de dólares registrados na semana encerrada em 17 de maio.

Esse montante foi impactado, sobretudo pela entrada de quase 5 bilhões de dólares referentes ao pagamento do bônus de Libra, cujo prazo foi no último dia 27. As empresas estrangeiras participantes do consórcio, como a francesa Total, a anglo-holandesa Shell e as chinesas CNPC e CNOOC haviam confirmado que precisariam repatriar recursos para pagar seu porcentual no bônus, cujo total é de 15 bilhões de reais.

Outro valor contabilizado no mês que potencializou o resultado positivo se refere aos cerca de 4 bilhões de reais trazidos pela Vale, retirados de uma captação com emissão de debêntures no exterior feita em 2006. A quantia foi usada pela empresa para aderir ao programa de refinanciamento de dívidas tributárias com o governo, o Refis.

Com o resultado de novembro, rompe-se a trajetória de cinco meses consecutivos em que as saídas de dólares superaram as entradas. Para se ter uma ideia, em outubro foi registrado o maior fluxo negativo do ano, de 6,2 bilhões de dólares. Montante tão grande de recursos que saiu do país foi visto apenas em dezembro do ano passado, quando as remessas somaram 6,755 bilhões de dólares.

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Desde o início do ano, o fluxo só foi positivo nos meses de março (391 milhões de dólares), abril (3,515 bilhões de dólares) e maio (10,755 bilhões de dólares). Em todos os outros, a conta fechou no vermelho, com a maior saída, até então, sendo verificada em agosto (5,850 bilhões de dólares) e a menor, em fevereiro (105 milhões de dólares).

As operações financeiras responderam pela saída líquida de 1,697 bilhão de dólares em novembro, diferença entre ingressos de 36,145 bilhões de dólares e retiradas de 37,842 bilhões de dólares. No comércio exterior, o saldo foi positivo em 4,237 bilhões de dólares no período, com importações de 17,402 bilhões de dólares e exportações de 21,638 bilhões de dólares. Nas exportações, estão inclusos 2,403 bilhões de dólares em Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), 4,551 bilhões de dólares em Pagamento Antecipado (PA) e 14,684 bilhões de dólares de outras entradas.

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No ano – No acumulado do ano até final de novembro, no entanto, o fluxo cambial está negativo em 3,481 bilhões de dólares. O saldo acumulado de janeiro a novembro é resultado de um total positivo de 13,017 bilhões de dólares no segmento comercial e negativo em 16,498 bilhões de dólares na área financeira. No mesmo período de 2012, o fluxo total estava positivo em 4,876 bilhões de dólares.

Os representantes do BC têm minimizado a reversão dos números para o terreno negativo e asseguram que não há fuga de capitais do país, mesmo com a maior parte das retiradas sendo da área financeira. No encerramento de 2012, o saldo ficou positivo em 16,7 bilhões de dólares.

(Com Estadão Conteúdo)

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