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Fitch quer que próximo governo do Brasil ajuste políticas fiscais

Segundo a agência de classificação de risco, país precisa melhorar seu desempenho fiscal para devolver a confiança dos investidores

Por Da Redação 10 abr 2014, 20h42

A agência de classificação de risco Fitch Ratings espera que o próximo governo brasileiro realize ajustes que melhorem o desempenho fiscal e a confiança dos investidores para manter a atual nota do país e, assim, evitar o rebaixamento. Em teleconferência com investidores nesta quinta-feira, a analista da Fitch Shelly Shetty disse que as baixas taxas de crescimento e a deterioração nas contas fiscais são as principais preocupações sobre o Brasil, que continua classificado como “BBB”, com perspectiva estável.

As declarações de Shelly sugerem que a agência está disposta a dar o benefício da dúvida ao próximo presidente brasileiro, que será escolhido em outubro. O depoimento também pode ajudar a aliviar temores de que o Brasil, em breve, possa sofrer outro rebaixamento, após a Standard & Poor’s decidir cortar o rating do país no mês passado para “BBB-“, a faixa mais baixa da categoria de grau de investimento.

“Acreditamos que a deterioração nos fundamentos de crédito que vimos até agora no Brasil está amplamente dentro do nível de tolerância do rating BBB”, afirmou Shelly. Nos próximos anos, entretanto, a Fitch quer ver ajustes para “atrair investimento privado e melhorar a confiança, que tem sido afetada devido às incertezas políticas”, acrescentou. Segundo a analista, caso não haja melhoras na taxa de investimento, será “muito difícil” para o Brasil crescer ao ritmo de cerca de 4% por ano.

A economia brasileira não consegue apresentar expansão acima de 3% desde que a presidente Dilma Rousseff assumiu o cargo em 2011. Neste ano, a expectativa é de crescimento abaixo de 2%, já que, de acordo com a Fitch, a Copa do Mundo terá um impacto “insignificante” na atividade do país.

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Petrobras – A Fitch acredita que empresas brasileiras sofrerão mais rebaixamentos do que elevações de ratings em 2014. Segundo ela, a queda da liquidez global dificulta as condições de financiamento para empresas com classificação menor. Por outro lado, os ratings da Petrobras devem permanecer em linha com a classificação soberana apesar dos desafios de financiar o plano de expansão da empresa.

A Fitch explicou que no rating “BBB” da Petrobras já foi incorporado o impacto de possíveis atrasos na expansão planejada de sua capacidade de refino, devido principalmente a exigências de conteúdo local. De acordo com o analista da Fitch para empresas brasileiras Mauro Storino, grandes atrasos de expansão que aumentem consistentemente a taxa de alavancagem da Petrobras para mais de cinco vezes sua dívida total em relação ao Ebitda pode afetar seu rating.

Storino, no entanto, destacou que esse não é o cenário base da Fitch. “Embora existam alguns cenários em que podemos separar o rating (da Petrobras) do rating soberano, ele continua altamente ligado ao rating do governo”, afirmou. A Petrobras “ainda tem uma alavancagem administrável, apesar do fato de que o segmento de distribuição continua a divulgar perdas e a empresa esteja sob um agressivo programa de capex de 220 bilhões de dólares até 2018”, completou.

(com agência Reuters)

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