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Finlândia impedirá que MEE compre dívida no mercado secundário

A Finlândia impedirá que o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) compre dívida no mercado secundário para aliviar os países em dificuldades, conforme prevê um acordo firmado na sexta-feira em Bruxelas, anunciou nesta segunda-feira o primeiro-ministro finlandês em seu Parlamento.

“No futuro, será preciso unanimidade para decidir sobre tais compras e esta unanimidade não será possível devido à oposição holandesa e finlandesa”, diz um relatório apresentado no Parlamento finlandês pelo primeiro-ministro, Jyrki Katainen, no qual relata o ocorrido na reunião de 28 e 29 de junho passado em Bruxelas.

Um porta-voz do chefe do governo, Pasi Rajala, afirmou à AFP que, para a Finlândia, “comprar no mercado secundário não faz nenhum sentido”.

“A Finlândia analisará caso por caso as futuras compras (da dívida), mas nos oporemos a futuros projetos de compras da dívida pelo MEE no mercado secundário”, completou Pasi Rajala.

A Finlândia, um dos poucos países da UE que conserva a nota máxima de classificação financeira, o triplo A, tem imposto rígidas condições para os planos de ajuda da UE aos países em dificuldades.

No ano passado, Helsinki exigiu e conseguiu, no segundo plano de ajuda à Grécia, concluir um acordo bilateral com Atenas que lhe garantia a recuperação do dinheiro emprestado.

A ministra finlandesa de Finanças, Jutta Urpilainen, afirmou em junho que seu país pediria garantias caso o dinheiro concedido pela Europa para recapitalizar os bancos espanhóis saísse do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).

“A Finlândia não quer apoiar diretamente aos bancos espanhóis se não for através do governo”, afirmou.

O Parlamento finlandês ratificou o MEE no final de junho, com o voto favorável de 104 dos 200 deputados e 74 contra, apenas depois de realizar o acordo bilateral de garantias extras com Atenas.

Com a ratificação do MEE, a Finlândia concordou em conceder 11,140 bilhões de euros (14,1 bilhões de dólares) aos fundos deste mecanismo que entrará em vigor em julho.

Sucessor do atual FEEF, o MEE contará com meio trilhão de euros em fundos (633 bilhões de dólares) para ajudar os países da Eurozona na crise.

Na sexta-feira passada, a zona do euro aprovou a recapitalização direta dos bancos espanhóis em troca de um rigoroso controle sobre o setor financeiro, conforme anunciado após a reunião na qual a Alemanha cedeu ante a pressão de Espanha e Itália para encontrar soluções imediatas à crise da dívida.