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Financial Times elogia Petrobras, Embraer e Embrapa por inovação

Jornal britânico destaca a necessidade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento para alavancar a produtividade da economia

Dois dias depois do leilão do Campo de Libra, que deve requerer 180 bilhões de dólares de investimentos – boa parte dedicada ao desenvolvimento de tecnologia para a exploração de petróleo a 7 mil metros de profundidade no mar -, o jornal britânico Financial Times traz nesta quarta-feira um suplemento de quatro páginas sobre inovação e pesquisa no Brasil. No artigo de abertura, o jornal britânico destaca a necessidade de o país abraçar a pesquisa para elevar a produtividade da economia e estimular o empreendedorismo criativo. Segundo o FT, não basta para a nação ser uma grande exportadora de commodities.

O suplemento traz casos emblemáticos de empresas e centros de pesquisa que estão viabilizando inovações tecnológicas no Brasil. O primeiro focaliza a Petrobras, que investiu 1,14 bilhão de dólares em pesquisa e desenvolvimento no ano passado, mais que outras gigantes internacionais do setor de energia, como Sinopec, BP, Total e Exxon. Um dos objetivos dos gastos é elevar a eficiência de produção da companhia, que passa por um processo de estagnação desde o início de 2012.

O FT também expõe o caso da Embraer, uma das principais fabricantes de aviões de médio e pequeno porte no mundo. A empresa desenvolveu um modelo de negócio no qual seus engenheiros desenham o corpo da aeronave, asas e cauda, mas utilizam uma cadeia global de fornecedores de componentes. Isto permite que a companhia possa adotar as melhores tecnologias disponíveis com preços competitivos. Seus aviões podem ter motores da Pratt & Whitney, sistemas de navegação da Northrop Grumman, ambas empresas norte-americanas, e sistema de reabastecimento aéreo da britânica Cobham.

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A Embrapa também é destaque do suplemento especial do jornal. A companhia investiu 3,5 bilhões de dólares em uma década para desenvolver um feijão geneticamente resistente ao vírus mosaico dourado, que é alvo de uma das mais danosas doenças para a leguminosa na América do Sul. De acordo com a reportagem, este feijão estará no mercado em 2015. O jornal também enfatiza a produção de grãos no Brasil geneticamente modificados. No caso da soja, 85% da produção nacional está nesta categoria. Dentre as multinacionais que atuam nessa cultura está a Monsanto.

Redes sociais – Mas a inovação no Brasil, aponta o FT, também está nas ruas, especialmente nas redes sociais, viabilizada por avanços em telecomunicações. O jornal ressalta que o país é o segundo mercado mundial para o Facebook, um campo muito fértil para empresas que atuam diretamente com a internet.

Há no mercado nacional 270 milhões de aparelhos celulares em atividade, número que deve subir para 350 milhões em 2018, segundo um estudo da Ericsson. E o tráfego de dados deve aumentar doze vezes nos próximos cinco anos. A reportagem destacou que o uso das redes sociais foi fundamental para as manifestações populares por melhores serviços públicos em junho, que envolveram cerca de um milhão de pessoas em grandes capitais.

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(com Estadão Conteúdo)