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Fillon: França precisa do Brasil para enfrentar crise da dívida europeia

O primeiro-ministro francês, François Fillon, afirmou esta quinta-feira que seu país precisa da “liderança do Brasil e de sua presidente, Dilma Rousseff”, em uma época em que a Europa enfrenta “uma crise de confiança” provocada por problemas de dívida.

Fillon, que realiza uma visita de quatro dias ao Brasil, também pediu a aceleração da parceria estratégica entre os dois países, lançada em 2008.

“Precisamos da parceria do Brasil e de sua presidente Dilma Rousseff, de suas convicções, e do exemplo que sua extraordinária trajetória pessoal representa”, afirmou, em declarações a empresários em São Paulo.

“Em um momento em que a Europa enfrenta uma crise de confiança, agora precisamos exatamente tirar vantagem do enorme potencial oferecido pela parceria estratégica entre França e Brasil”, acrescentou.

“Nós queremos desenvolver esta cooperação, naturalmente no setor aeronáutico, bem como nas áreas espacial e do trem de alta-velocidade porque nossos laços claramente superaram o estágio produtor-consumidor para alcançar aquele de uma parceria genuina e equilibrada”, continuou.

Enquanto isso, França e o governo do estado de São Paulo firmaram uma carta de intenções, segundo a qual a agência de desenvolvimento francesa financiará grande parte da construção de um trem que ligará o aeroporto de Guarulhos ao centro da capital antes da Copa do Mundo do Brasil de 2014.

O custo total do projeto, que deve estar operacional em 2014, é de US$ 640 milhões, segundo o governador Geraldo Alckmin.

Fillon também disse que empresas francesas querem aumentar sua participação na infraestrutura brasileira, nos setores de transporte e aviação.

Mais cedo, o premier francês revelou a líderes empresariais que a França pode vir a enfrentar novos “solavancos” por conta da crise da dívida na Eurozona, em meio a rumores de que poderia perder a classificação de triplo A.

Mas ele minimizou o risco de rebaixamento, reforçando que “o que importa não é o julgamento em um certo dia” de agências de classificação, mas “a trajetória orçamentária politicamente estruturada e rigorosa que a Europa e a França decidiram adotar”.

“A crise não terminou e é provável que tenhamos que enfrentar novos solavancos. Os mercados e as agências de classificação têm sua própria lógica”, afirmou. “Eles lidam com o imediato, o instantâneo”, acrescentou.

Duas agências, a Standard & Poor’s e a Moody’s, alertaram que estão colocando a França sob avaliação e os mercados avaliam que Paris deve perder uma ou até duas posições na escala de classificação.

Acompanhado por três ministros e cerca de 30 líderes empresariais, Fillon seguiu de São Paulo para Brasília, onde analisa com a presidente Dilma a crise da dívida europeia, comércio bilateral e vendas militares.

O volume de transações comerciais entre França e Brasil somam mais de sete bilhões de euros (US$ 9 bilhões) e cerca de 500 empresas francesas operam no Brasil.