Fiemg cobra esclarecimentos sobre episódios envolvendo STF
Entidade que representa mais de 75 mil indústrias mineiras cobra apuração independente de episódios envolvendo ministros da Corte
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) divulgou nesta quarta-feira, 9, um manifesto em que cobra esclarecimentos sobre os recentes episódios envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), ministros da Corte, agentes públicos e interesses privados. A entidade representa mais de 75 mil indústrias mineiras. Sem citar nominalmente os envolvidos, o manifesto da FIEMG foi divulgado pouco depois de suspeitas a respeito da relação entre o ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro e o vaivém da exoneração de Andei Rodrigues do comando da Polícia Federal, inicialmente determinada pelo ministro André Mendonça em meio a uma disputa interna no STF.
No documento, a Fiemg defende que os fatos sejam apurados de forma independente e sem proteção corporativa. A entidade também manifesta apoio a uma iniciativa de 13 ex-ministros do STF, que pediram ao presidente da Corte a realização de uma sessão pública para discutir a apuração dos acontecimentos. O manifesto reproduz o pedido dos ex-ministros: “designe, com toda a urgência, sessão pública para que o Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas.”
A federação afirma que eventuais conflitos de interesse, suspeições ou irregularidades envolvendo magistrados devem ser investigados segundo os mesmos princípios aplicáveis aos demais cidadãos. “A toga confere autoridade para fazer cumprir a Constituição. Não confere impunidade”, afirma o texto.
A Fiemg também relaciona o tema ao ambiente eleitoral e econômico. Segundo a entidade, a percepção de que decisões judiciais possam favorecer determinados grupos ou atingir adversários pode aumentar a polarização e gerar insegurança para empresas e investidores.
Para a federação, a atividade econômica depende de segurança jurídica e previsibilidade institucional. “O setor produtivo não pede privilégios. Não pede proteção. Pede Justiça. Pede imparcialidade. Pede transparência.”. A entidade pede ainda que eventuais crimes e irregularidades comprovados resultem nas sanções previstas em lei, sejam administrativas, civis ou penais.





