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Fiat Chrysler desiste de fusão com a Renault

Montadora ítalo-americana decide retirar oferta após obstáculos do governo francês e recusa da Nissan em apoiar a ideia

A Fiat Chrysler anunciou nesta quarta-feira, 5, que está retirando a sua oferta de fusão de 35 bilhões de dólares para a Renault. Os motivos que levaram a montadora ítalo-americana a tomar a decisão foram obstáculos colocados pelo governo francês ao negócio e a recusa da Nissan, parceira da montadora francesa, a apoiar a ideia.

A Fiat informou que continua convencida da racionalidade da proposta, mas que “as condições políticas na França não existem atualmente” para que a ideia seja bem-sucedida. Dois representantes da Nissan no conselho da Renault não davam seu aval para o negócio, enquanto outros integrantes preparavam-se para votar a favor da fusão, de acordo com pessoas ligadas ao assunto. 

O governo da França disse na quarta-feira que não aprovaria a proposta de fusão com a Fiat Chrysler caso a Nissan não garantisse que a aliança de décadas com a Renault seguiria em vigor. 

Diretores da Renault não conseguiram chegar a um veredicto sobre a proposta de fusão da Fiat Chrysler, feita em 27 de maio, em reunião do conselho que durou até a noite desta quarta-feira, segundo a companhia. O conselho foi “incapaz de tomar uma decisão devido ao pedido de representantes do governo francês para adiar a votação para uma reunião posterior”, informou a Renault, em comunicado.

De acordo com jornais americanos, porém, o obstáculo nas últimas horas vinha sendo a Nissan, que possui uma aliança de décadas com a companhia francesa, para intercâmbio de tecnologia e componentes –além de deter 15% das ações da companhia.

Terceiro maior grupo do mundo

A fusão criaria o terceiro maior grupo automobilístico do mundo, com vendas anuais de 8,7 milhões de veículos e “uma forte presença em regiões e segmentos chave”, atrás apenas da Volkswagem (10,6 milhões) e da Toyota (10,59 milhões), segundo a Fiat. A contabilização dessas estatísticas provoca controvérsias no mercado automotivo, já que as fabricantes utilizam de diferentes métodos para tal.

Se somarmos os números da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, por exemplo, ele se constituiria o maior grupo automobilístico mundial em termos de volume de vendas, com quase 10,76 milhões de unidades comercializadas ano passado. Em caso de acréscimo dos números da Fiat-Chrysler, a aliança estabeleceria uma grande distância para os rivais, com quase 16 milhões de veículos.

A Renault (com marcas como Dacia, Lada, Alpine) vendeu no ano passado 3,9 milhões de veículos, a Nissan, 5,65 milhões, e a Mitsubishi Motors, 1,22 milhão de unidades. A Fiat Chrysler, que tem 13 marcas (incluindo Jeep, Alfa Romeo, Dodge, Ram ou Ferrari), vendeu 4,8 milhões de veículos em 2018.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)