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FGV: serviços têm menor nível de confiança em janeiro

Por Alessandra Saraiva

Rio de Janeiro – A confiança dos empresários do setor de serviços em janeiro deste ano teve o nível mais baixo desde outubro de 2009, segundo o consultor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Silvio Sales. Hoje, a instituição anunciou queda de 0,9% no Índice de Confiança do setor de Serviços (ICS) de janeiro ante dezembro do ano passado. “Neste início do ano, a percepção de uma demanda insuficiente é generalizada, na margem”, disse, acrescentando que esta percepção é coerente com o atual ambiente de desaceleração no ritmo da economia.

Em janeiro, 16,3% das empresas pesquisadas para o ICS apontavam demanda insuficiente para atender à procura no momento atual, no mercado. Este porcentual era menor, de 12,1%, em janeiro de 2011, neste mesmo quesito.

Desde o terceiro trimestre do ano passado, é possível perceber movimento de desaceleração nos indicadores de confiança pesquisados pela fundação. Esta trajetória declinante se acentuou a partir do terceiro trimestre de 2011, e o setor de serviços não ficou de fora. Assim, a trajetória de gradual desaceleração na confiança do setor de serviços, combinada com impacto sazonal do mês de janeiro, que sempre mostra perda de confiança contra dezembro (visto que o último mês do ano conta com demanda historicamente maior), derrubou o indicador do primeiro mês do ano.

No entanto, Sales fez uma ressalva. O desempenho negativo na margem pode ter ofuscado sinais de uma possível retomada na confiança entre as empresas no setor. Na comparação com igual mês do ano anterior, a queda no indicador de confiança foi de 1% em janeiro de 2012, bem mais fraca do que a apurada em dezembro de 2011 ante dezembro de 2010 (-3,2%) e o melhor resultado desde julho do ano passado (2,4%), nesta comparação.

Para o especialista, este desempenho de queda menos intensa na comparação interanual pode representar os primeiros passos de uma recuperação na confiança. Caso a taxa do ICS fique positiva nos próximos meses, na comparação com igual mês do ano anterior, o processo de retomada na confiança pode se tornar mais claro – mesmo que, na margem, na comparação com mês anterior, o índice continue a mostrar taxa negativa.

O especialista chamou a atenção para o fato de que, em termos de índice de média móvel trimestral, a trajetória da confiança de serviços é muito similar à da confiança industrial, onde o “fundo do poço recente” ficou para trás, em outubro do ano passado.

A queda menos intensa do ICS na série comparativa com igual mês do ano anterior foi favorecida por respostas menos negativas tanto nos tópicos relacionados à situação atual como expectativas. Entre os setores pesquisados, um dos destaques foi o de serviços prestados às empresas, como de limpeza, atividades jurídicas e de publicidade. Somente neste segmento, a queda do ICS passou de -3% para -0,3% de dezembro para janeiro, contra igual mês do ano anterior.