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FGV mostra forte alta da inflação ao produtor e tendência de piora em meio à guerra no Irã

Pressão sobre matérias-primas e combustíveis contamina preços ao consumidor, enquanto efeitos da guerra ainda não foram totalmente repassados

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 abr 2026, 16h25
FGV mostra forte alta da inflação ao produtor e tendência de piora em meio à guerra no Irã Priorizar nos meus resultados Google

A Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou uma aceleração expressiva da inflação ao produtor até o início de abril, em um cenário marcado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio. O Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) — que é composto pela inflação ao produtor, ao consumidor e para o setor de construção — subiu 2,94% no mês, revertendo a queda de 0,24% observada em março. Com o resultado, o indicador acumula alta de 2,57% no ano.

O principal vetor da alta foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que avançou 3,81% no período, após recuo de 0,39% no mês anterior. Parte desse movimento foi diretamente associada ao cenário internacional. “A expressiva alta nos preços ao produtor decorre dos desdobramentos da guerra no Oriente Médio”, diz o economista do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV, Matheus Dias.

Dias avalia que o processo inflacionário ainda não se esgotou. “Ainda não temos um repasse completo de todos os efeitos da guerra”, disse. “Os efeitos (da guerra) ainda estão em curso. A expectativa é que tenhamos uma aceleração (da inflação) nos próximos meses, tanto para preços ao produtor quanto ao consumidor”.

Segundo Dias, o choque não se limita ao setor energético. “Seus efeitos extrapolam os derivados de petróleo e atingem insumos relevantes de diversos setores, como o ácido sulfúrico e os adubos ou fertilizantes”, disse. Esses itens tiveram aumentos expressivos em abril, de 29% e 6,8%, respectivamente, ampliando a pressão sobre custos industriais e agrícolas.

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Entre os itens que mais pressionaram positivamente o IPA, destacam-se leite in natura (com inflação de 6,40%), adubos ou fertilizantes (6,88%), ovos (12,40%), minério de ferro (3,21%) e bovinos (2,99%). O conjunto evidencia tanto o impacto do cenário externo quanto fatores domésticos, especialmente ligados à agropecuária.

Preços ao consumidor

No varejo, a inflação ao consumidor também ganhou força. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,88% em abril, após variação de 0,03% em março, com alta disseminada em sete das oito classes de despesa, especialmente transportes e alimentação.

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Os principais impactos no IPC vieram de gasolina (6,38%), tomate (21,99%), leite longa vida (8,10%), serviços bancários (1,73%) e tarifa de eletricidade residencial (0,85%). Os preços ao consumidor, acompanhando a tendência observada no IPA e também foram impactados pelo conflito, com destaque para a gasolina como principal influência.

Inflação da construção

Em abril, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,88%, acima dos 0,29% de março, com aceleração do grupo de materiais e equipamentos (de 0,28% para 0,98%) e dos serviços (de 0,25% para 0,83%). Para a FGV, o cenário sugere continuidade das pressões inflacionárias no curto prazo, sobretudo enquanto persistirem as tensões geopolíticas e seus impactos sobre cadeias globais.

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