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FED mantém juros, mas sinaliza aumento na taxa e menos estímulos em 2022

Jerome Powell, presidente do banco central americano, sinaliza que o programa de compra de títulos americanos pode ser encerrado "em meados do próximo ano"

Por Luisa Purchio Atualizado em 22 set 2021, 21h29 - Publicado em 22 set 2021, 16h46

Após dois dias de reunião sobre a política monetária do país, o Federal Reserve Bank anunciou nesta quarta-feira, 22, que os juros do país podem ser elevados em 2022 e que o programa de compra de títulos públicos pode ser encerrado em meados do ano que vem. No documento divulgado com as projeções trimestrais do Fed, 9 dos 18 integrantes do Comitê de Política Monetária sinalizaram uma elevação de 0,25 ponto percentual já em 2022, enquanto os nove restantes sinalizaram aumentos apenas em 2023. Esta foi uma mudança importante em relação às projeções realizadas em junho, quando o aumento das taxas era esperado para a partir de 2023. Para o momento atual, porém, não há alteração: o comitê manteve a taxa de juros do país entre 0% e 0,25% e o programa de compra de títulos.

O presidente do Federal Reserve Bank, Jerome Powell, enfatizou que os indicadores econômicos dos Estados Unidos, principalmente de empregos e inflação, têm vindo em direção às metas e, por isso, pode haver mudanças no programa de compra de títulos. O PIB do país, por sua vez, cresceu 6,4% no primeiro semestre do ano e há expectativa sobre um forte crescimento no segundo semestre, o que embasa a decisão do Fed de reduzir as injeções de dólares na economia.

“Se o progresso continuar, uma moderação no ritmo de compra de ativos pode ser garantida em breve”, disse Jerome Powell. “Embora nenhuma decisão tenha sido tomada, os participantes consideraram em geral que, desde que a recuperação continue no caminho certo, um processo de redução gradual de compras, que termine em meados do próximo ano, provavelmente será apropriado”, disse Powell.

O mercado esperava que a primeira redução do ritmo de compras seria feita na próxima reunião do Comitê, em novembro. A postura de Powell de deixar a data do início da redução dos estímulos em aberto e condicionada a novos indicadores, porém, pode ser uma forma de ganhar tempo para avaliar melhor os dados econômicos. “A porta ficou aberta e a redução não foi anunciada para novembro. Há fatores a serem observados sobre o comportamento da economia. Nos últimos dois meses, vimos uma desaceleração na criação de empregos e há ainda os riscos da variante delta”, diz Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

Apesar de sinalizar a redução do programa de compras de títulos públicos, Jerome Powell enfatizou que “o momento e o ritmo da próxima redução nas compras de ativos não terão a intenção de transmitir um sinal direto sobre o momento do aumento da taxa de juros, para o qual temos um teste mais rigoroso”. Ou seja, para a elevação da taxa de juros básica do país serão considerados critérios diferentes dos relativos à injeção via compra de títulos, principalmente, quanto à situação de pleno emprego no país.

Economia em recuperação

Desde o início da pandemia, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirma em suas entrevistas que a recuperação dos empregos nos Estados Unidos é fundamental para a plena retomada da economia do país. Em agosto, a taxa de desemprego dos Estados Unidos chegou a 5,2%, um número bem baixo em comparação ao pico da pandemia, quando em abril de 2020 14,8% de pessoas estavam desempregadas. Ainda assim, o número está mais de 1,7 ponto percentual acima do patamar pré-pandemia, quando apenas 3,5% dos americanos se encontravam desempregados.

A inflação também é uma preocupação constante no radar dos investidores e do Federal Reserve. Ainda que, ao longo do ano, o Fed tenha defendido que ela é temporária e se deve à normalização da demanda após o período de crise, o mercado especulava que a sua permanência seria maior. Os últimos indicadores apontam que, nos últimos 12 meses até julho, a alta dos preços foi de 4,2%, acima da meta de 2% do Fed. Ainda assim, a expectativa de grande parte dos integrantes do órgão é que ela voltará para aproximadamente 2% após a normalização da cadeia de suprimentos global.

“Hoje, o mercado está convencido que a inflação é transitória, então, a linha do Fed está correta. Embora ela esteja rodando na casa de 5%, a tendência é que diminua e há uma expectativa de que se reduzirá para entre 2 e 3% no segundo semestre do ano que vem. Ainda há alguns fatores de pressão sobre os preços, como a alta demanda por carros usados e a falta de chips para automóveis novos”, diz Adriano Cantreva, analista da Portofino Multifamily Office.

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