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Fed: Inflação alta perdura mais que o esperado nos Estados Unidos

Nesta terça-feira, 27, Jerome Powell discursou sobre a inflação, dificuldade em alcançar o pleno emprego e a elevação do teto da dívida

Por Luana Meneghetti Atualizado em 28 set 2021, 17h55 - Publicado em 28 set 2021, 15h17

O Congresso americano recebeu nesta terça-feira, 28, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e Janet Yellen, Secretária do Tesouro dos Estados Unidos, no Comitê de Assuntos Bancários, Habitacionais e Urbanos do Senado, para discutir sobre os programas de enfrentamento à pandemia da Covid-19. Powell e Yellen discursaram sobre o cenário econômico americano, e o tema da inflação foi tratado sob uma nova luz. Mesmo que ainda seja vista como temporária pelo banco central americano, houve o reconhecimento de que o aumento dos preços deve se estender pelos próximos meses. “Esses efeitos foram maiores e mais duradouros do que o previsto, mas diminuirão e, à medida que o fizerem, espera-se que a inflação volte a cair em direção à nossa meta de longo prazo de 2%”, disse.

O banco central americano alega que a alta dos preços tem ocorrido devido ao impacto na cadeia de suprimentos causado pela pandemia. Com isso, houve alterações na oferta e demanda que se refletiram diretamente nos desequilíbrios de preços observados nos últimos meses. Segundo Powell, à medida que a reabertura continua, gargalos, dificuldades de contratação e outras restrições podem novamente se provar maiores e mais duradouras do que o previsto, apresentando riscos de alta para a inflação. “Se uma inflação mais alta sustentada se tornasse uma preocupação séria, certamente responderíamos e usaríamos nossas ferramentas para garantir que a inflação ocorresse em níveis consistentes com nossa meta”, disse.

O índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos acumula alta de 5,4% em doze meses. E a expectativa para os próximos doze meses é que se mantenha em uma mediana de 5,2%, de acordo com a pesquisa mensal de expectativas do consumidor de agosto.

O pleno emprego também ainda está longe de ser alcançado, segundo Powell. No mês passado, foram criados 235 mil empregos no país, mas a expectativa do mercado era de 750 mil. Assim, a taxa de desemprego foi de 5,2% em agosto, segundo o relatório de emprego, o Payroll. Isso indica que medidas de estímulo à economia podem permanecer por mais tempo, e a alta de juros seria adiada, beneficiando os mercados dos países em desenvolvimento. De outro lado, a inflação alta para os padrões americanos pressionaria por começar logo a alta dos juros, para conter os preços.

Segundo Yellen, a economia ainda continua frágil, mas se fortalecendo e expandindo rapidamente, embora reconheça que a volta dos casos de Covid-19 esteja pesando nesta retomada. Ela disse ainda que a trajetória de crescimento da economia deve ser retomada no próximo ano, assim como as expectativas de pleno emprego. Yellen também pediu que o Congresso eleve o teto da dívida federal, alegando risco de um calote que pode acarretar na perda de confiança nos Estados Unidos.

Na última reunião do Fed, a autoridade monetária do país manteve a taxa de juros em 0,25%, mas sinalizou que poderia começar a retirar os estímulos de 120 bilhões de dólares em compras de títulos. Essa retirada é o pleito de muitos membros do banco central americano, que esperam essa proposta já na próxima reunião. No entanto, os dados de emprego ainda abaixo do esperado e o reconhecimento de que o país ainda está longe do plano emprego, pode jogar água fria nessas expectativas de retirada dos estímulos.

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