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Fed está disposto a atuar para evitar recaída e deflação

Em exposição ao Senado, o presidente do banco central americano, Ben Bernanke, cita risco de deflação e de recaída da crise financeira

Por Da Redação - 21 jul 2010, 21h15

Segundo Bernanke, o Fed prevê “a continuação de um crescimento moderado e uma queda lenta do desemprego” nos Estados Unidos

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) está pronto para tomar medidas adicionais de apoio à economia se for necessário, declarou nesta quarta-feira o presidente da instituição, Ben Bernanke, citando o risco de deflação, enquanto o crescimento mantém-se em ritmo moderado.

“Estamos prontos para tomar medidas adicionais se for necessário para favorecer o retorno à plena utilização do potencial de produção de nossa nação, em um contexto de estabilidade de preços”, declarou Bernanke diante do Comitê Bancário do Senado.

Essa alusão à estabilidade de preços em um momento em que a inflação se mantém “frágil” e deverá manter-se “contida” durante “vários anos”, segundo Bernanke, aparece como uma clara evocação ao risco de deflação.

Os recentes indicadores econômicos americanos revelam uma desaceleração do crescimento, o que reavivou os temores de uma recaída da atividade e uma espiral deflacionária cujos efeitos poderão ser devastadores.

A deflação é um tema que Bernanke conhece bem porque dedicou a ela boa parte de seus trabalhos universitários. É justamente esse conhecimento dos danos associados a um ciclo de baixa de preços e da atividade, muito difícil de reverter, que o levou a conduzir o Fed para uma política de apoio sem precedente aos mercados, com o objetivo de enfrentar a crise financeira.

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Mas a quase totalidade dos programas de apoio já expiraram, e vários economistas, como o prêmio Nobel de Economia Paul Krugman, pediram recentemente que o Fed atuasse rapidamente, lembrando Bernanke de seu célebre discurso pronunciado em 2002, quando era apenas diretor do Fed: “deflação: fazer de tudo para que isso não chegue até aqui”.

Enquanto o governo deve lutar para que seus planos de reativação sejam aprovados pelo Congresso, o Fed dispõe de uma independência que lhe permite atuar rapidamente para ajudar a economia. Mas Bernanke acredita que o momento para novas medidas de ajuda não chegou ainda e nesta quarta-feira evitou anunciá-las.

A recuperação americana “continua em ritmo moderado”, afirmou, indicando que o banco central prevê “a continuação de um crescimento moderado e uma queda lenta do desemprego”. Advertiu, no entanto, que atualmente a criação de empregos no setor privado é “insuficiente” para fazer baixar o desemprego, atualmente em 9,5%. Completou que “diversos bancos continuam tendo muitos ativos desvalorizados em seus balanços”, o que agrava o problema.

Bernanke deu a entender que o Federal Reserve, decidido a manter sua taxa de juros em quase zero pelo tempo que for necessário, poderá vincular o fim da medida a um retorno de inflação a níveis que julgue razoáveis, ou retornar aos planos de apoio.

Segundo o chefe do Fed, tais medidas requerem uma decisão do Comitê de Política Monetária (Fomc, da sigla em inglês).

(com AFP)

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