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Fed anuncia novas medidas de estímulo: venda de bônus e compra de longo prazo

Por Chip Somodevilla 21 set 2011, 18h39

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) anunciou nesta quarta-feira novas medidas de estímulo para uma economia cuja reativação continua mostrando-se “lenta”.

O organismo anunciou que até o final de junho de 2012 venderá 400 bilhões de dólares em bônus do Tesouro para comprar um montante equivalente mas com vencimentos mais prolongados, como forma de fazer baixar as taxas de juros de longo prazo, uma alternativa que havia sido considerada por vários especialistas.

As taxas de juros poderiam seguir em seus níveis atuais até meados de 2013 caso seja preciso, disse o organismo.

A medida de venda e compra de bônus é uma reedição da “Operação Twist”, realizada pelo Fed em 1961, na qual o banco substitui operações de curto prazo por prazos mais longos para aliviar a pressão sobre os juros dessas obrigações.

“O programa deverá baixar a pressão sobre as taxas de juros de longo prazo e ajudar a tornar mais confortáveis as condições financeiras gerais”, disse o Comitê Monetário do Fed (FOMC) em um comunicado.

Três dos 10 membros do FOMC votaram contra a decisão.

A Bolsa de Nova York, no entanto, não reagiu bem ao anúncio e fechou em queda: o Dow Jones perdeu 2,52%, fechando a 11.121,63 pontos e o termômetro da tecnologia, Nasdaq, recuou 2,01%, a 2.538,19 no fechamento. Já o Standard and Poor’s 500, perdeu 2,94% (35,33 pontos), a 1.166,76.

O banco já havia sinalizado em sua ata referente à reunião de agosto que iria tomar medidas de incentivo econômico. Na época, o presidente do banco central, Ben Bernanke, pediu inclusive aos congressistas americanos para que tomassem medidas mais enérgicas de reativação orçamentária para completar a ação da instituição.

O mercado vinha pressionando o banco por novas medidas uma vez que a economia continua crescendo lentamente, e em algumas regiões são observados sintomas de enfraquecimento.

Segundo o Fed, a debilidade do mercado de moradias continua sendo um dos pontos fracos da economia americana, mas as pressões inflacionárias mostram tendência de queda.

Para a autarquia, os indicadores econômicos têm demonstrado uma persistente debilidade principalmente em relação aos emprego e aos gastos dos consumidores, e indica que o setor de moradias “permanece deprimido”.

A taxa de desemprego se mantém nos Estados Unidos a 9,1%.

O Fed, contudo, indicou que as empresas seguem aumentando seus investimentos em equipamentos e software, e que a inflação se moderou após a forte alta do começo do ano, graças ao recuo dos preços de algunas matérias-primas.

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O Comitê de Política Moentária do Fed (Fomc) indicou ainda que espera que a inflação se estabilize durante os próximos meses, mas advertiu sobre “significativos riscos” que pesam sobre as perspectivas econômicas, em parte devido aos mercados financeiros.

“Em vista do cenário econômico instável, faz sentido um programa amplo”, disse o analista da Naroff Economic Advisors, Joel Naroff.

A iniciativa, que também inclui medidas sobre títulos associados a créditos imobiliários, põe o Fed no meio da polêmica política em Washington, uma posição incômoda para um organismo que guarda zelosamente sua independência da Casa Branca, do Tesouro e do Congresso.

Líderes republicanos do Congreso enviaram uma carta divulgada na terça-feira ao presidente do Fed, Ben Bernanke, na qual advertem sobre possíveis efeitos negativos das novas intervenções para impulsionar a economia.

“Temos sérias preocupações de que mais intervenções do Fed podem exarcerbar os atuais problemas ou lesionar mais a economia americana”, disseram.

“A direção (do Fed) deveria resistir a mais intervenções extraordinárias na economia americana, particularmente sem uma clara articulação dos objetivos desta política”, completaram.

Alguns economistas têm questionado sobre as munições das quais ainda dispõem a autarquia após três anos de intervenções.

“A maioria das pessoas pensa que as medidas terão pouco efeito prática na economia”, disse o economista Chris Low, da FTN Financial.

Ontem, o FMI anunciou uma previsão de desaceleração do crescimento da economia mundial, alegando como principais fatores para tanto a lenta recuperação dos Estados Unidos e da Europa.

De acordo com o FMI, o crescimento dos Estados Unidos chegará apenas a 1,5% em 2011 e a 1,8% em 2012, indicou o fundo em suas Previsões Econômicas Mundiais (WEO, siglas em inglês).

O PIB americano havia aumentado 3,0% em 2010, mas “a atividade econômica perdeu velocidade” e a redução do ritmo “foi mais forte do que o previsto”, indica o Fundo, que previa até agora um crescimento de 2,5% nos Estados Unidos em 2011, e de 2,7% em 2012.

De todos os países do Grupo dos Sete (G7, nações industrializadas), os Estados Unidos foram os que sofreram a maior revisão para baixo de seu crescimento. Segundo a organização internacional, o crescimento dos Estados Unidos será inferior ao da média dos países desenvolvidos.

As taxas projetadas são muito inferiores à última previsão do governo americano, que anunciou este mês um crescimento de 2,1% em 2011 e de 3,3% em 2012.

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