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Febre global do Super Bowl leva ingressos a preços de mansão

Acompanhar a final do futebol americano de um camarote do Hard Rock Stadium, em Miami, pode custar até R$ 5,6 milhões

Por Lucas Cunha - 24 jan 2020, 16h10

Os Estados Unidos vão parar na frente da televisão no primeiro domingo de fevereiro, no dia 2, para acompanhar a 54ª edição do Super Bowl, a final do futebol americano. Referência única no esporte mundial, o evento atrai uma série de holofotes e tem impacto econômico projetado acima de 500 milhões de dólares. Estima-se que mais de 100 milhões de americanos assistam à partida pela televisão. O evento possui os 30 segundos mais caros da TV no mundo, com valor de cada inserção acima de 5 milhões de dólares.

Mas não é só isso. A cidade que recebe o evento, que neste ano será em Miami, é impactada diretamente pelo seu gigantismo. Além dos gastos dos turistas que viajam para assistir a partida, a cidade recebe diversas atividades de entretenimento. Isso tudo sem contar as cifras faturadas pelos clubes e pela NFL, a liga de futebol americano que organiza a competição. 

Quem quiser acompanhar de perto a final do Super Bowl da temporada de 2019/2020 vai ter de abrir os bolsos e desembolsar uma pequena fortuna. O preço das entradas para a partida entre as equipes San Francisco 49ers e Kansas City Chiefs varia bastante, dependendo da empresa que as oferece e a localização do assento.

Caso dinheiro não seja um problema, pela bagatela de 999 mil dólares, ou 5.561.077,58 reais, de acordo com a conversão feita pelo site de ingressos StubHub, que inclui impostos, é possível desfrutar de um camarote com suíte no nível do mezanino. O espaço, que pode acomodar 18 pessoas, conta com comidas e bebidas à vontade e os convidados ainda podem acessar o clube VIP do Hard Rock Stadium, estádio no qual a final será realizada.

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Em outras grandes empresas do segmento, é possível garimpar tickets mais em conta. O site Vivid Seats oferece o bilhete mais barato, que sai por 4.161 dólares (18.100 reais), enquanto o mais alto na empresa é de 485.750 dólares (2.113.012 reais). Já no Tick Pick, os ingressos saem entre 4.351 dólares (18.297 reais) e 5.855 dólares (25.469 reais). As projeções na moeda brasileira foram feitas com base na conversão direta e usando a cotação atual do dólar turismo, que está no patamar de 4,35 reais para a venda.

TURISMO SEXUAL

Como o Super Bowl atrai multidões, o evento levanta preocupações sobre o aumento no tráfico e na exploração sexual em Miami. Conhecida pela sua atmosfera festiva, a cidade está no terceiro estado com mais casos de tráfico de pessoas dos Estados Unidos, depois da Califórnia e do Texas. Autoridades americanas temem que a ensolarada Miami crie uma tempestade perfeita para a exploração sexual. “O Super Bowl, por ser um grande evento festivo, amplia o problema local, ao atrair organizações [criminosas] que tentam ganhar mais dinheiro”, disse Anthony Salisbury, agente especial encarregado do escritório de investigação do Departamento de Segurança Interna, à AFP.

É a experiência que Katariina Rosenblatt sofreu. Dos 13 aos 17 anos, ela foi forçada a fazer sexo em um hotel em Miami Beach, a turística ilha às margens da cidade. “Eles me venderam, por minha inocência, como uma pequena virgem americana, mas consegui sair”, disse Katariina, à AFP. Ela é fundadora da ONG “There is Hope For Me” (Há Esperança Para Mim, em inglês) para ajudar vítimas do tráfico.

As autoridades estão treinando funcionários de hotéis, seguranças, motoristas de caminhões, ônibus e Uber para reconhecer os sinais de que alguém é vítima de escravidão. Esses são os trabalhadores com maior probabilidade de identificar um possível caso de tráfico de pessoas e denunciá-lo à polícia. A organização do Super Bowl também participa de esforços de conscientização.

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(Com AFP)

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