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Falta de leilões de áreas de petróleo estimula parcerias–ANP

RIO DE JANEIRO (Reuters) – Na falta de novos leilões de áreas de exploração de petróleo no Brasil, investidores interessados em atuar no país passaram a se associar a concessionárias que já possuem direitos exploratórios, afirmou o órgão regulador brasileiro.

A exemplo da aquisição de 45 por cento dos blocos da brasileira HRT Participações na Amazônia pela anglo-russa TNK-BP, confirmada na segunda-feira, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) está analisando “muitas outras operações deste tipo”, disse o diretor da reguladora Helder Queiroz, nesta terça-feira.

“Estamos analisando bastante coisa porque o país continua atrativo e neste momento não há leilão”, afirmou, após participar de solenidade para marcar a associação da HRT com a TNK-BP, no Rio.

O governo não oferta áreas de petróleo desde 2008, quando foi realizada a décima rodada. Desde então o governo aguarda definições sobre o novo marco regulatório do setor para abrir novas licitações.

A 11a rodada está prevista para 2012, ainda que falte a autorização final pela presidente Dilma Rousseff, e a licitação de áreas do pré-sal poderá ocorrer apenas em 2013, disse Queiroz.

BG, ANADARKO E OUTRAS

Algumas empresas que já possuem ativos no país se aproveitam para levantar dinheiro vendendo total ou parcialmente os direitos.

A petroleira norte-americana Anadarko é uma delas. Ela poderá se desfazer inclusive de um bloco com descobertas no pré-sal da bacia de Campos.

Nesta terça-feira, a empresa afirmou que sairia do país se recebesse uma oferta com preço adequado.

Também circulam comentários no mercado que apontam para uma venda de ativos por parte da britânica BG, como forma de se capitalizar para cumprir pesados investimentos no pré-sal, onde atua em parceria com a Petrobras.

Na mesma linha, a americana Repsol também vendeu participação que detinha em um bloco no pré-sal da bacia de Santos para a chinesa Sinopec e a Sonangol Starfish estuda para quem vender dois blocos na bacia de Campos.

Recentemente, a ANP aprovou a compra de ativos da americana Devon pela BP, que amplia presença no país por meio da TNK-BP, na qual possui 50 por cento de participação.

O negócio entre a TNK-BP e a HRT prevê a aquisição de 45 por cento de 21 blocos pela companhia anglo-russa na Amazônia por um bilhão de dólares.

PRÊMIO DE US$5 BI

No contrato entre as duas empresas existe a opção de a TNK-BP poder aumentar em 10 por cento sua participação no projeto num prazo de 30 meses após aprovação do negócio pelo órgão regulador.

O vice-presidente de exploração da TNK, Alexander Dodds, afirmou que o negócio com a HRT faz parte da estratégia de crescer fora da Rússia, onde a companhia já produz 1,8 milhão de barris por dia de petróleo e gás.

Márcio Mello, presidente da HRT, disse que escolheu os russos porque eles têm experiência em perfuração de poços terrestres, com atividades desse tipo em mil poços por ano.

“É um acordo no qual trabalhamos incessantemente, 24 horas por dia nas últimas semanas e estamos muito orgulhosos”, disse, durante solenidade para detalhar o negócio, no Rio.

O acordo prevê ainda que se as reservas extrapolarem o volume estimado atualmente –da ordem de 500 milhões de barris– a petroleira russa pagará um prêmio que poderá atingir no máximo 5 bilhões de dólares.

(Reportagem de Sabrina Lorenzi)