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Exportação de carnes ignora Trump e cresce mais de 50% mesmo depois de tarifaço

Produção brasileira recebeu uma sobretaxa de 50% para entrar nos EUA, mas compras da China e outros mercados mais do que compensaram as perdas

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 1 out 2025, 11h46 - Publicado em 30 set 2025, 07h08

Entre os produtos que o Brasil mais vende para os Estados Unidos, as carnes foram um dos poucos que não receberam nenhum tratamento especial ou entraram para alguma lista de exceções e que, desde 6 de agosto, estão pagando a tarifa de 50% imposta pelo presidente norte-americano, Donald Trump, aos produtos brasileiros. Trata-se da maior tarifa aplicada pelos Estados Unidas entre todos os seus parceiros comerciais – apenas a Índia recebeu uma taxa tão alta. Isso significa que grande parte das mercadorias oferecidas pelo Brasil ficaram consideravelmente mais caras do que a dos demais concorrentes internacionais para entrar no mercado americano, e tendem a perder espaço.

O reflexo nas exportações para lá, de fato, foi grande – em agosto, os embarques totais do Brasil para os Estados Unidos caíram 18% na comparação com um ano antes. As carnes, entretanto, têm uma história bem própria. Maior fornecedor de carnes do mundo e com uma demanda global que segue crescendo a passos firmes para além dos Estados Unidos, o Brasil ainda vê as exportações do setor dispararem. “Nós vendemos para mais de 150 países, a demanda global continua aquecida e os nossos competidores não têm mais carne para oferecer”, explicou Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em entrevista para reportagem desta semana de VEJA que mostra os impactos das tarifas sobre as indústrias mais afetadas.

As remessas de carnes brasileiras para os Estados Unidos desabaram 46% em agosto, para 37 milhões de dólares, de acordo com os números de agosto da balança comercial brasileira acompanhados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, e Comércio Exterior (Mdic). A perda, porém, mal fez cócegas na produção: as exportações totais cresceram 56%, chegaram a 1,5 bilhão de dólares e seguem nos maiores níveis da história.

E os números prévios de setembro apontam para a mesma direção – a média diária exportada em carne bovina no mês até esta segunda-feira, 29 de setembro, está em 1,6 milhão de reais, 53% mais que a média de setembro do ano passado. O crescimento é tanto que a Abiec até revisou para cima a sua projeção para o crescimento das exportações em 2025, de uma alta de 12%, conforme esperado no começo do ano, para algo mais próximo dos 14% agora.

Os aumentos, explica Perosa, acontecem em um momento em que falta carne no mundo: de um lado, há um crescimento consistente e expressivo em diversos mercados emergentes, em especial os asiáticos, seja pelo aumento de renda na região, seja por mudanças culturais. “É uma região do globo que não tinha muito costume de comer carne bovina, sempre comeu muito mais aves e suínos”, diz o presidente da Abiec, que também foi secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura entre 2023 e 2024. Vietnã, Malásia, Indonésia e Filipinas são algumas das novas fronteiras de consumo mencionadas por ele. Do outro lado, a oferta global também está restrita, com outros dos principais produtores de carnes do mundo, como a Austrália e os Estados Unidos, com dificuldades de expandir sua produção – o que impulsiona ainda mais a procura pelo produto brasileiro.

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As exportações de carne para a China, por exemplo, que já representam 60% das vendas brasileiras do produto, cresceram 90% em agosto, de acordo com os dados do Mdic. Entre outros dos maiores compradores do Brasil, o Chile comprou 30% mais, as vendas para a Rússia saltaram 109% e, para o México, 300%.

Perosa ressalta, porém, que é difícil encontrar outro mercado como o americano, onde os consumidores pagam preços melhores pelos produtos. “Os Estados Unidos eram o nosso segundo maior mercado e são um mercado altamente rentável”, diz. “O redirecionamento para outros países é relativamente tranquilo, mas o setor frigorífico trabalha com margens muito apertadas, de 3% a 4%, então se perdemos o mercado que nos dava uma margem maior, isso prejudica todo o sistema de vendas.”

Os fatos que mexem no bolso são o destaque da análise do VEJA Mercado:

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