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EXCLUSIVO: Marcelo Claure, do Softbank, assume Conselho da WeWork

Fundador da empresa, Adam Neumann, será afastado de todos os cargos que ocupa

Em meio a uma reestruturação, a startup WeWork anunciará nos próximos dias o troca da Presidência do Conselho de Administração da empresa. No lugar do fundador Adam Neumann, entrará o CEO da  japonesa Softbank Group International, Marcelo Claure, confirmou uma fonte a VEJA. O nome do CEO da WeWork, cargo também ocupado por Neumann, não está definido, mas Claure já decidiu não acumular as duas funções.

Especulava-se, no início das negociações, que Neumann fosse permanecer no posto de presidente do Conselho, mas o fundador da empresa será definitivamente afastado de todos os cargos.

Após a frustrada tentativa de abrir capital, a WeWork iniciou um processo de reestruturação exigido pelos sócios. Hoje, o Softbank é o segundo maior detentor de ações da startup e define os últimos pontos para a aquisição de uma participação majoritária na companhia.

De acordo com a rede americana CNBC, o fundo japonês vai oferecer 1 bilhão de dólares pelas ações de Neumann, além de um pagamento de 185 milhões de dólares a título de consultoria. Assim, o fundador, apesar de ter gerado prejuízos astronômicos aos investidores, sairá como um bilionário ao final do processo.

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Claure chegou ao Softbank em 2014, quando o fundo de venture capital japonês realizou um investimento na empresa de telecomunicações Brightstar — fundada em 1997 por Claure — de 1,3 bilhão de dólares. Depois de extensas negociações, a Brightstar acabou assumindo a divisão de Serviços e Comércio do próprio Softbank, elevando Claure à posição de diretor do fundo criado por Masayoshi Son.

O empreendedor, nascido na Bolívia e com cidadania americana, é o diretor-executivo operacional (COO) do Softbank e presidente executivo (CEO) do Softbank Group International. Além das atividades na empresa, ele é dono dos clubes de futebol Bolívar (da Bolívia) e Inter Miami (dos Estados Unidos). Ele também criou o 1 Million Project, trabalho filantrópico para levar internet a um milhão de alunos desconectados.

Aquisição da WeWork

O negócio entre o Softbank e a WeWork, segundo a imprensa americana, avalia a startup americana entre 7,5 bilhões de dólares e 8 bilhões de dólares (aproximadamente 33 bilhões de reais) — o fundo já possui 30% de participação na empresa. Os japoneses, segundo a CNBC, planejam realizar aportes de até 5 bilhões de dólares na empresa de escritórios compartilhados. O acordo deve ser anunciado ainda nesta semana.

O acordo faz derreter o valor de mercado da empresa. A WeWork já foi avaliada em 47 bilhões de dólares e planejava oferecer suas ações na bolsa americana. O plano era abrir o capital da empresa a valores superiores a 40 bilhões de dólares. Contudo, o prejuízo de 1,6 bilhão de dólares no ano passado frustrou o ímpeto dos investidores e mancharam a reputação do fundador Adam Neumann — que já era questionada. Um dos exemplos dos maus investimentos foi o aporte feito por ele em uma startup que promete estender a vida das pessoas, a Life Bioscience.

A empresa está presente em 111 cidades no mundo e possui mais de 500 mil membros (locatários). No Brasil, ocupa andares inteiros em 30 endereços, entre eles, na Avenida Paulista e na Avenida Faria Lima, em São Paulo, e no Leblon, no Rio, zonas nobres das principais cidades brasileiras.

Com a percepção de que a WeWork gastava demais e arrecadava de menos, o mercado minguou as avaliações da empresa e a oferta pública inicial (IPO, em inglês) foi por água abaixo. Em setembro, a empresa anunciou que havia desistido da operação.

O caso enfureceu investidores, que veem em Neumann um irresponsável — outro exemplo de sua personalidade excêntrica: ele distribuiu tequila em uma reunião na qual dispensou 7% dos trabalhadores da WeWork. Apesar do prejuízo bilionário, o fundador da WeWork gosta de organizar eventos com os executivos do grupo regados a bebida alcoólica e apresentações de artistas do calibre de Red Hot Chilli Peppers, Lorde e Florence and The Machine.

As reuniões do Conselho da WeWork serão muito menos animadas, e mais tensas, sob a presidência de Claure.