Clique e Assine por somente R$ 2,50/semana

Ex-BCs criticam governo e Mantega rebate: ‘tucanos teriam quebrado o Brasil na crise de 2008’

Contra-atacando críticas de Armínio Fraga e Gustavo Franco, ministro diz que governo criou tripé macroeconômico mas não o seguiu

Por Da Redação 18 out 2013, 13h28

O ministro disse que os fundamentos macroeconômicos durante os anos de FHC eram “frágeis” e que Arminio Fraga deveria ser “mais modesto” ao falar das taxas de juros reais verificadas na gestão Dilma Rousseff

Dois ex-presidentes do Banco Central (BC), Armínio Fraga e Gustavo Franco, criticaram a flexibilização do tripé da política macroeconômica (superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante), que esta semana foi alvo de debate entre a ex-senadora Marina Silva e a presidente Dilma Rousseff. O colunista do site de VEJA, Rodrigo Constantino, que compareceu ao evento em que os economistas palestraram, no Rio de Janeiro, reproduziu as críticas em seu blog, na quinta-feira.

Fraga e Franco comandaram o BC durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e demonstraram preocupação com as mudanças na política econômica a partir do segundo mandato do presidente Lula. “O Brasil vive, de uns seis ou sete anos para cá, um modelo diferente do que prevaleceu nos 12 anos anteriores”, afirmou Arminio a jornalistas, pouco antes da palestra. “Houve uma inversão na política econômica: ela está amarrada na microeconomia e solta na macroeconomia”, completou. A amarração na microeconomia se refere às diversas formas de intervenção do governo na economia. O tripé é o lado macroeconômico da política.

Leia também:

Mantega defende leilão de Libra de críticas dos sindicatos

Mantega se diz satisfeito com resultado do IPCA e promete ficar alerta com a inflação

Gustavo Franco comemorou o fato de Marina Silva demonstrar preocupação com o tripé. “É sinal de que alguma coisa mudou”, disse, respondendo ao público. O economista explicou, porém, que o tripé é apenas a “parte operacional” de um conjunto mais amplo de políticas. São eles a responsabilidade fiscal (garantida pelo superávit primário), a qualidade da moeda (expressa no controle da inflação, mas indo além da meta para o IPCA) e a abertura da economia para o exterior (facilitada pelo câmbio flutuante).

Continua após a publicidade

Mantega ataca – No mesmo dia, questionado sobre as afirmações de Franco e Fraga, o ministro Guido Mantega revidou as críticas. “Não dá para alguém que foi do governo, e teve uma inflação média de 8,77% no período dele à frente do BC, dizer que nós temos inflação alta. Ele trouxe esse sistema de metas para o Brasil, mas não cumpriu. Temos um desempenho melhor do que Arminio em matéria de inflação”, afirmou Mantega.

O ministro disse que os fundamentos macroeconômicos durante os anos de Fernando Henrique Cardoso eram “frágeis”, que Arminio deveria ser “mais modesto” ao falar das taxas de juros reais verificadas na gestão Dilma Rousseff, e que se os tucanos estivessem à frente da economia brasileira durante a explosão da crise mundial, em 2008, o Brasil teria quebrado.

Leia também:

Brasil não precisa cumprir meta de superávit para reduzir dívida, diz Mantega

“As reservas internacionais são um dos pilares dos fundamentos da economia. Antes, elas não pagavam nem por alguns meses de importação, e hoje elas pagam um ano e meio de nossas compras externas, que também têm um volume muito maior agora. Reserva é dinheiro no bolso, e o bolso estava vazio nos anos FHC. Os fundamentos no período Arminio eram meio frágeis”, disparou Mantega, segundo quem, até nas semelhanças, a gestão do PT na economia é superior.

Mantega também reagiu à comparação feita por Arminio entre a gestão de Dilma e a do ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979), considerado o mais estatizante e desenvolvimentista dos governos militares. “Somos parecidos porque no governo Geisel havia política de desenvolvimento, é isso? E no governo JK não tinha também? E a política econômica de Getúlio, que instituiu a substituição das importações? É fácil fazer paralelo com qualquer coisa”, disse Mantega, “mas fato é que não há nenhuma semelhança com Geisel, que não investia na Petrobras, por exemplo, que é uma das principais estratégias do nosso governo”.

(Com Estadão Conteúdo)

Continua após a publicidade
Publicidade