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Eurozona tem reunião crucial em Bruxelas com foco em Itália e Grécia

Os dirigentes europeus pressionam a Itália neste domingo para que o país equilibre suas contas e ao mesmo tempo lapidam as medidas de preparo do sistema financeiro para um eventual default da Grécia, durante uma reunião crucial para buscar soluções para a crise da dívida.

A reunião, que se iniciou às 06H20 GMT (04H20 de Brasília) no Conselho Europeu, antecede uma nova e definitiva reunião, que acontece na quarta-feira, cujos resultados serão apresentados aos países emergentes e industrializados do G20 em Cannes (sul da França) nos dias 3 e 4 de novembro.

A Europa enfrenta, no plano econômico, “desafios muito graves”, declarou na abertura da reunião o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy.

Segundo Van Rompuy, as decisões que a Europa deve adotar para fazer frente à crise da dívida são umas das mais importantes de sua história.

“Agradeço sua coragem política, muitas vezes subestimada. Contudo, ainda temos muito trabalho pela frente. Então, comecemos”, disse o presidente da União Europeia ao iniciar a reunião de dirigentes dos 27 países da União Europeia (UE) que acontece neste domingo com uma reunião dos 17 membros da Eurozona.

O foco está agora na Itália, terceira maior economia europeia. Os dirigentes europeus aumentaram a pressão ao chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, para que este ponha a economia de seu país em ordem e cumpra com suas promessas de equilibrar o orçamento.

O líder italiano reuniu-se na manhã deste domingo com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, antes do início da reunião de dirigentes europeus, num momento em que Roma está sob pressão crescente de seus sócios para reduzir seu déficit.

“Nunca perdi uma desafio em minha vida”, exasperou Berlusconi à saída da reunião.

Especialistas, no entanto, dizem que Berlusconi está perdendo credibilidade entre seus sócios europeus, que lhe sugerem que siga o exemplo da Espanha, que tem tomado drásticas medidas de austeridade para paliar o déficit de suas contas.

Nos últimos dias tem crescido o temor de que a Itália seja a próxima vítima a ser arrastada pela crise, que já golpeou Grécia, Irlanda e Portugal. “A ideia é pressionar Berlusconi”, disse um diplomata.

O descontentamento aumenta no momento em que a Eurozona busca proteger a Itália e a Espanha do contágio da crise da dívida, reforçando a capacidade de intervenção do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, o FEEF. De olho nos mercados, Itália adotou em julho e em setembro medidas de austeridade que deveriam permitir ao país alcançar o equilíbrio orçamentário para 2013 e reduzir sua colossal dívida de 1,9 trilhão de euros (120% do PIB).

Diante da ameaça de que a crise da dívida arraste grandes economias, como Itália e Espanha, terceira e quarta maiores economias europeias, Alemanha e França aceleraram suas discussões sobre a melhor maneira de otimizar o FEEF.

Antes disso, no entanto, os europeus devem estabilizar a economia da Grécia, asfixiada por uma dívida de 350 bilhões de euros (162% de seu PIB). O

plano é aumentar de forma “substancial” a participação dos bancos, principais credores da dívida grega, para que estes aceitem o perdão de ao menos 50% da dívida do país, contra os 21% decididos em julho.

Em troca, os dirigentes europeus realizaram na acordo de princípio para recapitalizar os bancos europeus, com uma injeção de 108 bilhões de euros. O montante deverá ajudar também na elevação de 5 para 9% do capital básico de qualidade que passará a ser exigido dos mesmos.

O plano, no entanto, ainda terá que ser negociado com os bancos para que seja determinado se sua participação no setor privado será voluntária ou não.

A Alemanha defende ainda que o FEEF, dotado atualmente de 440 bilhões de euros, dê garantias aos tomadores de dívida, que se responsabilizariam por 20 a 30% das perdas no caso de algum país entrar em default, o que impulsionará os investidores a comprar bônus de países em dificuldades.

Desta forma, o FEEF, atuando como uma companhia de seguros, multiplicaria sua capacidade, sem pedir mais garantias aos Estados europeus. A França, no entanto, é contra a esta alternativa porque ela pode vir a comprometer sua nota máxima de crédito, ‘AAA’.