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Europa define como será a recapitalização dos bancos

Índice de solvência das entidades financeiras deverá ser elevado para 9%

A União Europeia chegou nesta quarta-feira a um acordo sobre a recapitalização dos bancos do continente no decorrer da cúpula desta quarta-feira, em Bruxelas, na Bélgica. Segundo o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, ficou definido que o índice de solvência dos bancos deverá ser elevado para 9%. “Nós chegamos a um acordo sobre a recapitalização, que é um dos principais objetivos da cúpula”, afirmou.

Índice de solvência – Este índice de solvência é uma composição que o Comitê de Supervisão Bancária de Basileia – que reúne os maiores bancos centrais do mundo – impõe a instituições financeiras de todo o planeta para qualificar seus ativos. O indicador que terá de ser elevado na Europa é o chamado TIR1. Trata-se de um índice que mostra quanto a instituição possui de capital de alta qualidade em relação a seu patrimônio. Ao exigir um cumprimento mínimo de 9%, os líderes europeus sinalizam que querem bancos sólidos, com ativos muitos bons em relação ao total. Analistas alertam que esse aumento já havia sido acordado pela Basileia, e começaria a ser implementado em todo o mundo a partir de 2013. O mais provável é que os bancos europeus estejam se adiantando a isso.

Os 9% de capitalização requeridos para os bancos do continente equivalem a 108 bilhões de euros e deverão ser aplicados já em 30 de junho de 2012. De acordo com o jornal El País, para se calcular as necessidades dos grandes bancos privados europeus, será medida a exposição da dívida pública dos países com problemas no final do terceiro trimestre de 2011. O cálculo deverá vir acompanhado, segundo o El País, de uma supervisão de órgãos reguladores para garantir que os planos para aumentar o capital não levarão os bancos a um endividamento excessivo, prejudicando o fluxo de crédito e a economia dos países.

Reunião dos 27 – A definição sobre o programa de recapitalização dos bancos ocorreu durante a reunião dos 27 países europeus da União Europeia, que antecede a reunião dos 17 principais líderes da união monetária – que prossegue em Bruxelas. Enquanto a primeira reunião definiu os rumos da indústria financeira, a segunda debruça-se sobre o calote grego e o aumento da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), também conhecida como fundo de resgate europeu.

Segundo Tusk, a zona do euro irá garantir a recapitalização dos bancos para que eles possam enfrentar as consequências da devastação econômica do setor privado. A forma de recapitalizar as instituições havia deixado de ser tema de debate nos últimos dias, e tinha se tornado ponto pacífico.

Desde o início, a recapitalização era o ponto de maior consenso entre os líderes europeus. Agora, resta a parte mais espinhosa, como a ampliação do fundo de resgate europeu e a reestruturação da dívida grega, também chamada de “calote”. Devido à complexidade do assunto, as apostas apontam para que haja muito mais um acordo político do que técnico para levar tais planos adiante. A Reuters teve acesso a um esboço do documento final da reunião que diz que o fundo de resgate será alavancado várias vezes. O relatório descata algumas opções que, de forma individual ou combinada, poderão permitir essa alavancagem. No entanto, o desenho final ficará para novembro.