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Eurogrupo acerta resgate de 10 bilhões de euros ao Chipre

Exposto à crise grega, país pediu socorro no ano passado. Em troca da ajuda, cipriotas prometeram evitar a lavagem de dinheiro em seu sistema bancário

Os ministros de Economia e Finanças dos países da zona do euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) acertaram na madrugada deste sábado, após dez horas de negociações, os detalhes de um plano de socorro de 10 bilhões de euros ao Chipre. As conversas e tentativas para o acordo de resgate já se estendiam por nove meses. O valor do montante, no entanto, ficou bem abaixo dos 17 bilhões de euros solicitados inicialmente pelo Chipre.

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Obstáculos – Um dos empecilhos que quase travou o aporte foi a enorme quantidade de depósitos estrangeiros nos bancos do Chipre — boa parte deles de milionários russos com suspeitas de ligação a máfias. Em troca da ajuda, as autoridades do país precisaram se comprometer a tomar medidas para evitar a lavagem de dinheiro no sistema bancário. O acordo também prevê a criação de uma taxa extraordinário de 9,9% sobre os depósitos de mais de 100 mil euros e de 6,7% para os valores menores. Além disso, o Chipre concordou em elevar impostos e reduzir o déficit.

“A assistência é uma garantia para resguardar a estabilidade financeira do Chipre e da zona do euro como um todo”, justificou o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, em entrevista coletiva. Ele informou que o resgate inclui “ambiciosas medidas” nas áreas de consolidação fiscal, reformas estruturais e privatizações no país. Já a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, destacou que a proposta estipulada nas negociações não é paliativa, mas “durável e sustentável”.

Para o presidente do Eurogrupo, a implementação das iniciativas propostas vai permitir que a dívida pública do Chipre, que deverá alcançar 100% do PIB em 2020, permaneça em uma via tolerável, além de elevar o potencial de crescimento e garantir a estabilidade financeira do país a longo prazo.

Crise – Com apenas 1,1 milhão de habitantes, o Chipre desenvolveu um setor financeiro hipertrofiado e muito exposto à Grécia que, junto ao turismo, constituiu durante muitos anos seu principal motor de crescimento. Com a explosão da crise grega, em 2010, e o resgate imposto dois anos mais tarde aos proprietários de bônus gregos, entre eles os bancos cipriotas, a ilha entrou em recessão.

(Com agências EFE e France-Presse)