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Euro completa dez anos e enfrenta sua maior crise

Moeda única completará uma década em 1º de janeiro em meio a temores de que sua longevidade seja inviável

Por Da Redação 26 dez 2011, 09h08

Será um aniversário turbulento para o euro, que se impôs dez anos atrás nas carteiras de milhões de europeus, e agora, diante da crise da dívida europeia, luta por sua sobrevivência. Utilizada desde 1999 pelos mercados financeiros, a moeda única irrompeu no dia 1 de janeiro de 2002 na vida de doze países da União Europeia, que se despediram teoricamente para sempre da peseta espanhola, do franco francês, da lira italiana ou do marco alemão, entre outras.

Atualmente, a zona do euro engloba 332 milhões de pessoas em 17 países. Em meados de 2011, 14,2 bilhões de notas e 95,6 bilhões de moedas circulavam com um valor de cerca de 870 bilhões de euros, segundo o Banco Central Europeu (BCE).

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Os líderes políticos e economistas não param de destacar os pontos positivos da moeda única: “Preços estáveis para os consumidores, mais segurança e oportunidades para as empresas e os mercados”, e, inclusive, “um sinal tangível de uma identidade europeia”, afirma o site da Comissão Europeia. Mas com a crise da dívida que se espalha por toda a Europa, os velhos ressentimentos foram retomados – e os eurocéticos, no início considerados rabugentos, ganham cada vez mais adeptos. Enquanto as opiniões se mostram cada vez mais dissonantes, crescem as diferenças econômicas e sociais entre os países do norte e do sul da Europa.

A dívida de 12 dos 17 países do euro encareceu e, além dos casos extremos de Grécia e Itália, a situação afeta seriamente a Espanha – país que também está pagando a taxa de juros mais alta para bônus a dez anos desde que o euro foi adotado.

A falta de uma integração fiscal e a falta de supervisão bancária desencadearam grandes desequilíbrios financeiros. A forte queda das taxas de juros no sul da Europa após a adoção da moeda única foi um estímulo para os governos e as empresas se endividarem de forma desmedida em todo o mundo, sobre todos os países do norte na Europa, que “subestimaram os riscos”, afirma o centro de estudos britânico.

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Assim, os Estados da zona do euro lutam atualmente para aprovar medidas em direção a um pacto fiscal, que ficarão gravadas nas constituições dos países europeus.

Até o momento, ninguém considera seriamente um retorno às velhas moedas europeias, embora o número de nostálgicos aumente.

Um fim do euro seria uma catástrofe para os bancos europeus, e faria com que, por sua vez, a inflação e o desemprego disparassem, advertem os economistas. No caso de um país como a Grécia que decida sair da união monetária, sua própria moeda, neste caso o dracma, registraria imediatamente uma forte desvalorização. E os detentores da dívida grega sofreriam grandes perdas. O mesmo ocorreria em cada país que abandonar o euro.

O “fim do euro seria o fim da Europa”, advertiu o presidente francês, Nicolas Sarkozy. O presidente do Banco Central Alemão, Jens Weidmann, recentemente ironizou os rumores de que estavam sendo impressas notas da velha moeda alemã: “Não há plano B, não há impressoras nos porões do Bundesbank”.

Veja algumas datas que marcaram o euro ao longo de sua história

– 1 de janeiro de 1999: O euro se converte em moeda oficial em onze Estados europeus (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Finlândia, Holanda, Itália, Irlanda, Luxemburgo, Portugal), mas só existe como moeda virtual.

– 4 de janeiro de 1999: Primeiro dia de cotação oficial. O euro termina nas negociações a 1,1837 dólar.

– 28 de setembro de 2000: 53,2% dos eleitores rejeitam na Dinamarca se unir à zona do euro.

– 26 de outubro: O euro alcança seu nível mais baixo, a 0,8230 dólar.

– 1 de janeiro de 2001: A Grécia, que cumpre com os critérios de Maastricht, adere à zona do euro, convertendo-se no 12º membro.

– 1 de janeiro de 2002: As moedas e notas do euro são introduzidas e o euro substitui as moedas nacionais dos países que o adotaram.

– 1 de março: Termina o período de dupla circulação do euro e das moedas nacionais.

– 15 de julho: O euro alcança o nível do dólar.

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– 14 de setembro de 2003: O “não” ao euro obtém 55,9% em um referendo na Suécia, que fica fora da zona do euro, assim como a Dinamarca e o Reino Unido.

– 1 de janeiro de 2007: A Eslováquia se soma à Eurozona, seguida depois por Malta e Chipre.

– 15 de julho de 2008: O euro sobe a 1,6038 dólar e alcança seu maior nível histórico devido à situação do dólar, atingido pela crise financeira.

– 12 de outubro de 2008: Os países da União Europeia adotam um plano de ação, que inclui garantias para empréstimos interbancários e a recapitalização dos bancos, com o objetivo de tentar restabelecer a confiança dos mercados financeiros.

– 14 de novembro de 2008: A zona do euro entra oficialmente em recessão.

– 1 de janeiro de 2009: A Eslováquia adota o euro.

– 2 de maio de 2010: A zona do euro aprova um crédito de 110 bilhões de euros, cofinanciado pelo FMI, para ajudar a Grécia durante três anos.

– 10 de maio de 2010: A UE aprova um plano de resgate, que inclui um mecanismo inédito de 750 bilhões de euros para socorrer os sócios em apuros da Eurozona.

– 17 de maio de 2010: O Euro cai a 1,2234 dólar, seu nível mais baixo desde abril de 2006. As bolsas asiáticas afundam.

– 28 de novembro de 2010: A UE e o FMI concedem à Irlanda um crédito de 85 bilhões, 35 bilhões deles para os bancos.

– 1 de janeiro de 2011: A Estônia se converte no 17º membro da Eurozona.

– 5 de maio de 2011: A UE e o FMI concedem a Portugal um crédito excepcional de 78 bilhões de euros, em troca de um plano de austeridade.

– 21 de julho de 2011: A cúpula da zona euro firma um acordo para salvar a Grécia com um segundo pacote de ajuda e garantir a sobrevivência da moeda única. Reforço previsto do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).

– 16 de agosto de 2011: Paris e Berlim propõem formar um governo da zona do euro, instaurar um pacto fiscal obrigatório e uma taxa às transações financeiras. Em uma semana, o BCE compra bônus de 22 bilhões de euros para tentar combater as ofensivas contra Itália e Espanha nos mercados financeiros.

– 12 de setembro de 2011: O euro cai ao seu nível mais baixo diante do iene (104,90 ienes), afundado pelo temor de um default da Grécia.

– 4 de outubro de 2011: O euro cai a 1,3146 dólar, seu valor mau baixo desde 13 de janeiro.

– 13 de outubro de 2011: Com a votação da Eslováquia, o FEEF fica aprovado pelos 17 países da zona do euro.

– 21 de outubro de 2011: A zona euro inicia uma maratona para tentar salvar a moeda única e evitar o contágio da crise da dívida. Luz verde à entrega de um crédito crucial de 8 bilhões de euros à Grécia para tentar evitar sua quebra.

– 23 de outubro de 2011: Cúpula da zona do euro em Bruxelas para tentar encontrar uma solução global para a crise da dívida. As decisões foram adiadas até a cúpula de quarta-feira.

– 27 de outubro de 2011: Acordo dos 17 países da Eurozona para reforçar o FEEF e anular uma parte da dívida grega com os bancos.

– 8 de dezembro de 2011: O BCE baixa novamente sua principal taxa de juros a 1%.

– 9 de dezembro de 2011: Todos os países da zona do euro, com exceção do Reino Unido, acordam novas medidas que tendem a reduzir o déficit fiscal.

(Com Agência France-Presse)

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