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EUA pedem à China continuidade na reavaliação da moeda e reformas de estímulo

O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, pediu nesta quinta-feira para que a China continuasse seu processo de reavaliação do yuan frente ao dólar e para que o gigante asiático aplicasse as reformas necessárias para combater a desaceleração do crescimento econômico mundial.

Washington tem acusado Pequim, com frequência, de manter o yuan artificialmente baixo para incentivar suas exportações, o que provocou um grande excedente comercial chinês com relação à outra grande potência econômica mundial.

Segundo Geithner, o yuan obteve valorização de 13% com relação ao dólar nos dois últimos anos, um nível que Washington considera insuficiente, apesar de o responsável do Tesouro americano reconhecer as reformas empreendidas por Pequim para valorizar o yuan “frente ao dólar e às principais moedas”.

“Um yuan mais forte, (com uma mudança) mais definido pelo mercado contribuirá para a consolidação do objetivo da China de se orientar rumo a uma produção de maior valor agregado, de reformar seus sistemas financeiros e incentivar a demanda interna”, disse Geithner, segundo documento escrito, transmitido antes de seu discurso.

Geithner iniciou nesta quinta-feira dois dias de negociações entre as duas principais potências econômicas mundiais, no âmbito do Diálogo Estratégico e Econômico, marcado pelo caso do ativista cego Chen Guangcheng, que na quarta-feira abandonou a embaixada americana na capital chinesa, onde se refugiou na semana passada, depois de violar a prisão domiciliar a que estava condenado.

O secretário americano também pediu à China mais reformas econômicas, incluindo uma maior presença de competidores estrangeiros em seu restrito mercado nacional.

“Nós nos reunimos em momentos de risco e de desafios para a economia mundial e ambos enfrentamos consideráveis desafios econômicos” em nossos respectivos países, disse Geithner.

“O futuro crescimento econômico requererá uma mudança fundamental em sua política econômica”, insistiu Geithner. “Os Estados Unidos têm um grande interesse no êxito destas reformas, como o resto do mundo.”

Essas reformas incluem incentivar o consumo interno acima das exportações, dando um papel mais importante às empresas privadas sobre os gigantes estatais e a modernização do sistema financeiro, campos em que estão fazendo progressos, disse Geithner.

O vice-primeiro-ministro chinês Wang Qishan, principal autoridade de Pequim no encontro com os americanos, destacou que seu país realizou progressos e pediu a Washington para não “politizar” os temas econômicos.

Também pediu aos Estados Unidos um relaxamento dos controles de produtos de alta tecnologia à China, que Washington justifica pela capacidade militar que algumas destas tecnologias podem ter.