EUA e Rússia se mexem para redesenhar a sucessão na ONU
Bastidor relatado por Ian Bremmer aponta articulação para barrar candidatos atuais e buscar um nome de fora da disputa após saída de Bachelet
A sucessão de António Guterres na ONU ganhou um novo e inesperado eixo de negociação. Segundo o cientista político Ian Bremmer após uma rodada de conversas com cerca de 40 chefes de Estado e chanceleres durante a Assembleia-Geral, Casa Branca e Kremlin vêm discutindo uma atuação coordenada para barrar os candidatos atualmente na disputa e abrir espaço para um nome de fora do processo.
A movimentação ocorre poucos dias depois de Brasil e México formalizarem, em 21 de setembro, a retirada da candidatura de Michelle Bachelet, encerrando a aposta conjunta dos dois países em colocar uma mulher latino-americana no comando da ONU.
De acordo com Bremmer, entre os nomes considerados nessa articulação aparecem Nickolay Mladenov, diretor-geral do Board of Peace ligado à iniciativa de Donald Trump para Gaza, e o chanceler turco Hakan Fidan. O objetivo seria encontrar uma alternativa capaz de sobreviver aos vetos das grandes potências no Conselho de Segurança.
Hoje, a costa-riquenha Rebeca Grynspan aparece na dianteira das sondagens informais do conselho. Na última votação, recebeu nove manifestações de apoio e cinco contrárias — resultado que ainda deixa a candidatura vulnerável quando os cinco membros permanentes começarem a revelar seus vetos.
O resultado é uma ironia para Brasília e Cidade do México: depois de passarem meses defendendo uma candidatura assentada no multilateralismo, a saída de Bachelet deixa a definição ainda mais dependente de uma negociação direta entre Washington e Moscou.





