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EUA dizem estar ‘à disposição’ para discutir tarifaço em resposta ao Brasil na OMC

China pediu para participar de consulta sobre tarifas americanas; No caso do Brasil, alíquotas do tarifaço somam 37,5%

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 ago 2026, 17h39 | Atualizado em 10 ago 2026, 17h49
EUA dizem estar ‘à disposição’ para discutir tarifaço em resposta ao Brasil na OMC Priorizar nos meus resultados Google

Os Estados Unidos responderam ao pedido apresentado pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) e aceitaram realizar consultas sobre as tarifas impostas às exportações brasileiras. Em documento enviado nesta segunda-feira, 10, o governo americano afirmou estar disponível para marcar uma reunião com representantes da missão brasileira.

“Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas”, diz o documento enviado pelos EUA à OMC.

O Brasil havia solicitado a abertura das consultas em 27 de julho. A medida permite que os dois países se reúnam diretamente para tratar das tarifas adotadas pelos Estados Unidos.

A contestação brasileira envolve duas tarifas. Uma delas, de 25%, foi direcionada especificamente ao Brasil sob a justificativa de que o país adotaria práticas econômicas consideradas desleais em relação a empresas americanas. A outra, de 12,5%, está relacionada à alegação de falhas na fiscalização da importação de produtos fabricados com trabalho forçado e também alcança dezenas de outros países.

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Ao recorrer à OMC, o governo brasileiro argumentou que as medidas americanas são discriminatórias e unilaterais e desrespeitam compromissos assumidos pelos Estados Unidos perante a organização. Embora essa não tenha sido a justificativa apresentada pelo Brasil no processo formal, o governo federal tem afirmado que as tarifas possuem motivação política e desconsideram os argumentos técnicos apresentados pelas autoridades brasileiras durante as negociações com os responsáveis pelo comércio americano.

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A iniciativa brasileira também é vista como uma medida de caráter simbólico. A avaliação é de que uma eventual decisão da OMC teria capacidade limitada para produzir uma reversão efetiva das tarifas americanas.

Segundo essa avaliação, a decisão de recorrer à organização está ligada à tradição da diplomacia brasileira de defesa do multilateralismo. O objetivo seria reforçar a posição de que conflitos entre países, inclusive aqueles de natureza econômica, devem ser tratados por meio de instituições internacionais. O processo também registra formalmente a tentativa do Brasil de encontrar uma alternativa para contestar as medidas adotadas pelos Estados Unidos.

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Se as consultas não resultarem em consenso, o processo pode avançar para a formação de um painel. O Órgão de Apelação da OMC, responsável por analisar recursos nas disputas comerciais, está paralisado.

Além do Brasil e dos Estados Unidos, a China pediu para participar das consultas nesta terça-feira. Pequim afirmou ter interesse substancial na questão e argumentou que as medidas americanas afetam suas exportações para os Estados Unidos, com impacto especialmente sobre as condições de concorrência dos produtos chineses no mercado americano.

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