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EUA dão prazo para países romperem negócios com Irã sob ameaça de sanções

Secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirma que parceiros de Teerã terão um prazo para encerrar relações comerciais

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 ago 2026, 15h50 | Atualizado em 24 ago 2026, 15h52
EUA dão prazo para países romperem negócios com Irã sob ameaça de sanções Priorizar nos meus resultados Google
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Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira uma nova etapa da pressão econômica contra o Irã.

O governo de Donald Trump ameaçou impor sanções a países, bancos e empresas que mantenham relações comerciais com Teerã, numa tentativa de ampliar o isolamento financeiro do país e acelerar o fim da guerra que já se aproxima de seis meses.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse que Washington está entrando em contato com governos de diferentes países para apresentar exigências específicas de redução ou encerramento dos vínculos econômicos com o Irã.

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Segundo ele, os parceiros comerciais de Teerã receberão um prazo para se adequar. Quem não cumprir poderá ser alvo de punições unilaterais dos Estados Unidos.

Bessent classificou a operação como um “Dia D econômico”, em referência ao desembarque aliado na Normandia durante a Segunda Guerra Mundial.

O objetivo, segundo ele, é atacar as conexões financeiras que permitem ao regime iraniano continuar operando apesar de décadas de sanções e dos meses de conflito militar com os Estados Unidos.

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“Estamos lançando uma ofensiva contra as conexões financeiras do Irã em todo o mundo”, afirmou o secretário. A estratégia, acrescentou, busca provocar o que chamou de “asfixia econômica” do regime.

A nova ofensiva representa uma mudança de escala na campanha americana. Até agora, as sanções tinham como alvo principalmente empresas, navios, intermediários financeiros e indivíduos envolvidos em negócios com o Irã.

A Casa Branca agora sinaliza que pretende aumentar o custo para terceiros países que continuarem servindo de ponte entre Teerã e a economia internacional.

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Mais de 60 empresas e entidades entram na mira

O Tesouro americano anunciou simultaneamente sanções contra mais de 60 entidades.

Segundo Bessent, Washington pretende concentrar a pressão sobre cinco canais considerados essenciais para a sobrevivência econômica do Irã: criptomoedas e outros ativos digitais, tecnologia, comércio de ouro, aviação e transporte marítimo.

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O secretário também afirmou que uma grande instituição financeira poderá ser sancionada ainda nesta semana por suas relações com o Irã, sem revelar o nome do possível alvo.

A ameaça mais ampla, porém, está no uso das chamadas sanções secundárias. Esse instrumento permite aos Estados Unidos punir instituições estrangeiras que façam negócios com pessoas ou empresas já incluídas nas listas de sanções americanas, mesmo quando essas operações ocorrem fora do território dos EUA.

Na prática, o poder desse mecanismo decorre da importância do dólar e do sistema financeiro americano. Um banco estrangeiro que seja excluído do acesso ao mercado dos Estados Unidos pode enfrentar enormes dificuldades para realizar transações internacionais.

Mas Bessent indicou que Washington pretende agir gradualmente. Questionado sobre a possibilidade de cortar grandes bancos chineses do sistema financeiro americano, ele afirmou que nenhum ator está fora do alcance das sanções, mas evitou citar a China diretamente.

Segundo o secretário, a Casa Branca quer primeiro oferecer aos países a oportunidade de interromper as relações consideradas problemáticas. “Por que eu gostaria de explodir o sistema financeiro global?”, questionou.

A China é o maior teste da estratégia

O principal obstáculo à nova ofensiva americana está justamente em Pequim. A China é o principal comprador do petróleo iraniano e tem mantido relações comerciais com Teerã apesar da pressão de Washington.

Uma aplicação rigorosa das novas ameaças poderia, portanto, colocar os Estados Unidos em rota de colisão direta com algumas das maiores instituições financeiras chinesas e abrir uma nova frente de tensão entre as duas maiores economias do mundo.

O dilema ajuda a explicar a cautela do Tesouro. Sanções contra bancos de grande porte poderiam afetar fluxos comerciais, mercados financeiros e operações denominadas em dólar muito além das relações entre China e Irã.

A administração Trump já havia ensaiado movimentos semelhantes.

Em abril, Bessent anunciou uma campanha batizada de “Fúria Econômica” e afirmou que bancos estrangeiros que continuassem apoiando atividades iranianas poderiam sofrer sanções.

O próprio Trump também havia ameaçado punir países e empresas que comprassem petróleo iraniano, sem levar imediatamente a promessa às últimas consequências.

Irã rejeita ameaça americana

Teerã reagiu com desafio à nova ofensiva. Pouco antes do pronunciamento de Bessent, Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano nas conversas com os Estados Unidos, afirmou nas redes sociais que Washington não conseguiria intimidar o país.

Segundo ele, os americanos sabem que “ninguém compra sua retórica”. Ghalibaf também argumentou que os Estados Unidos não estão em posição econômica para restringir ainda mais as relações de outros países com o restante do mundo.

A troca de ameaças ocorre num momento em que Trump tenta aumentar a pressão sobre Teerã para encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro. Os Estados Unidos já realizaram meses de bombardeios e ampliaram o cerco econômico, mas o governo iraniano ainda resiste às exigências americanas.

A situação também tem implicações para o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo. Washington busca pressionar Teerã a reduzir sua capacidade de interferir no tráfego marítimo da região, essencial para o abastecimento energético global.

Os mercados reagiram com cautela. Após as declarações do secretário do Tesouro, o S&P 500 aprofundou as perdas e chegou a cair cerca de 0,3%. O dólar ganhou força, enquanto os títulos do Tesouro americano tiveram pouca variação.

A dúvida agora é até onde Trump está disposto a levar a ameaça. Sanções contra empresas menores e intermediários comerciais podem ampliar o isolamento do Irã.

Mas atingir diretamente grandes bancos de países como a China significaria transformar a guerra econômica contra Teerã em um risco para o próprio sistema financeiro internacional.

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