ETFs temáticos ganham espaço nas carteiras em 2026 com apostas em IA, semicondutores e terras raras
Produtos permitem investir em tendências específicas por meio de uma única aplicação e ampliam o acesso a setores como energia nuclear e petróleo
A busca por investimentos ligados a grandes tendências da economia global vem ganhando espaço no mercado brasileiro de ETFs. Em 2026, temas como inteligência artificial, semicondutores, transição energética, energia nuclear, petróleo e terras raras aparecem entre as teses que atraem investidores interessados em se posicionar em setores específicos sem precisar escolher individualmente as empresas que compõem cada indústria.
Os ETFs, sigla em inglês para fundos negociados em bolsa, permitem investir em uma cesta de ativos a partir de uma única operação. Nos produtos temáticos, essa lógica é direcionada a um determinado setor, tecnologia ou tendência. Na prática, o investidor consegue, por meio de um único ativo, ter exposição a diferentes companhias relacionadas à mesma tese.
Segundo Danilo Moreno, analista da Investo, uma das principais vantagens desse tipo de produto está justamente na combinação entre praticidade e diversificação. Para montar uma exposição a setores mais específicos por conta própria, seria necessário pesquisar e acompanhar diversas empresas, muitas delas listadas no exterior. “Com um ETF temático, esse trabalho já vem organizado dentro de um índice com regras claras, permitindo participar de um movimento estrutural com um valor acessível e diluindo o risco de errar a escolha de uma única companhia”, afirma.
A estratégia também acompanha a expansão da própria indústria de ETFs no Brasil. A Investo, gestora independente especializada nesse mercado, vem ampliando sua oferta de produtos temáticos. Entre os lançamentos mais recentes estão o RARA11, voltado a terras raras e metais estratégicos, e o OLEO11, que reúne empresas de serviços relacionados à indústria de petróleo.
A casa também possui ETFs ligados a outros segmentos considerados estratégicos para os próximos anos, como semicondutores, energia nuclear, ouro e games. Entre eles estão o CHIP11, ligado ao setor de semicondutores; o NUCL11, de energia nuclear; e o GLDX11, de ouro físico.
De olho nas tendências
Embora os ETFs temáticos sejam utilizados para capturar movimentos específicos do mercado, antecipar qual tendência terá melhor desempenho não é uma tarefa simples. Para Moreno, o foco deve estar menos na tentativa de prever o momento exato de valorização de um setor e mais na identificação de transformações estruturais da economia.
Entre essas mudanças estão o avanço da inteligência artificial, a transição energética e a disputa internacional por recursos considerados estratégicos. São movimentos que envolvem investimentos de longo prazo e podem transformar cadeias produtivas inteiras. “As pessoas não conseguem acertar o momento exato em que uma tendência vai se traduzir em valorização. O possível é identificar movimentos estruturais de longo prazo”, diz o analista.
Nesse cenário, os ETFs temáticos funcionam como uma maneira de transformar teses de investimento que antes poderiam ser mais difíceis de acessar em produtos negociados diretamente na bolsa. Ao mesmo tempo, por serem mais concentrados em determinados setores, esses fundos tendem a ocupar um papel complementar dentro de uma carteira diversificada, e não necessariamente substituir investimentos mais amplos.







