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Com proibição de amianto, Eternit pede recuperação judicial

Fabricante de materiais de construção cita restrição do STF ao material no país e retração na construção civil como fatores de dificuldade

A indústria de materiais de construção Eternit fez na segunda-feira pedido de recuperação judicial ao Tribunal de Justiça de São Paulo. A empresa cita a retração no mercado de construção civil e a discussão sobre a proibição do uso de amianto no Supremo Tribunal Federal como fatores para suas dificuldades financeiras.

As dívidas da companhia somam 228,9 milhões de reais, segundo comunicado enviado ao mercado. A empresa disse que tem tomado medidas para se adaptar à nova realidade da economia – como redução de contratações de obras do programa Minha Casa, Minha Vida e desemprego alto – mas que as mudanças não surtiram o efeito desejado. A Eternit tem 1.700 funcionários e oito fábricas no país.

Em relação ao amianto, a empresa diz que, embora o processo sobre a proibição do uso do material no país não tenha acabado de tramitar, foi possível notar grande redução na demanda em itens que usam o material. Em novembro, o STF  proibiu a extração, industrialização, comercialização e a distribuição do mineral após pedido de entidade representante dos trabalhadores do setor. O material é considerado cancerígeno.

A Eternit afirma que a discussão sobre o amianto fez com que instituições financeiras não lhe oferecessem mais crédito. Em novembro do último ano, a empresa anunciou que deixaria de usar amianto em seus produtos a partir de dezembro deste ano.

Se aprovado o pedido, a empresa terá prazo de 60 dias úteis para apresentar seu plano de recuperação à Justiça.