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Estímulo excessivo coloca PIB do Brasil em risco, diz Loyola

Ex-presidente do BC adverte sobre o risco de superaquecimento do PIB no médio prazo; Planalto pode ser obrigado a tomar medida para conter expansão

Ante os diversos pacotes e medidas de estímulo econômico que a equipe da presidente Dilma Rousseff tem anunciado nos últimos meses, o Produto Interno Bruto (PIB) do país pode estar em risco de superaquecimento. A afirmação foi feita pelo economista Gustavo Loyola, da Tendências Consultoria, nesta sexta-feira em entrevista à agência Bloomberg. “O crescimento é baseado em consumo privado e gastos do governo, que estão aumentando muito mais rápido que a demanda”, alerta o ex-presidente do Banco Central. “O governo precisa prestar mais atenção na expansão nos investimentos ou nós vamos cair em uma situação de ‘para e avança'”, diz.

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Para ele, o crescimento econômico pode ficar exagerado e menos sustentável. A tese é a de que, se a economia se expandir muito rapidamente, o governo será obrigado a tomar medidas para desestimular o crescimento. Nesta sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou alta de 0,4% do PIB no segundo trimestre em comparação ao primeiro trimestre, que cresceu só 0,1%, conforme dados revisados.

Na quinta-feira, o Palácio do Planalto decidiu prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Importados (IPI) para automóveis, linha branca entre outras mercadorias, além de ter expandido o benefício fiscal para outros produtos. Há duas semanas, o governo também anunciou um pacote de concessões e investimentos no setor de transporte (ferrovias e rodovias) e irá divulgar um novo plano para diminuição da tarifa de energia elétrica na próxima semana.