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Estatuto impede investimento árabe no Flamengo, como brincou Guedes

A membros do clube, o presidente Rodolfo Landim — que nunca foi entusiasta da ideia — refugou a “venda” feita pelo ministro nos Emirados Árabes

Por Victor Irajá Atualizado em 23 nov 2021, 13h47 - Publicado em 20 nov 2021, 14h57

Se os torcedores do Flamengo ficaram animados com a possibilidade de um fundo árabe enfiar milhões no clube, o presidente do Rubro-Negro, Rodolfo Landim, botou água no chope dos conselheiros que o indagaram sobre a piada feita pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. “Não há nenhuma sinalização nem previsão estatutária para que isso possa ocorrer”, disse ele a membros da diretoria do Flamengo. Na semana passada, Guedes havia relatado em um evento que, nas conversas que teve com investidores nos Emirados Árabes Unidos, ouviu dos árabes a vontade de investir em dois clubes brasileiros — e citou o Flamengo.

“Eles anunciaram: ‘calma, nós vamos comprar dois times, estamos examinando e vamos comprar dois times’. Eles vêm aí com os investimentos. Isso ontem e anteontem na viagem. Eles compraram o Manchester United, compraram o Cristiano Ronaldo, etc. Então, vários brasileiros da comitiva começaram a pensar. Eu pensei: ‘Vem ser sócio do Flamengo’. Aí tinha um outro lá do lado, que é vascaíno, e falou: ‘Vem para o Vasco’. Eu falei: ‘Olha, vai perder dinheiro’”, havia dito o ministro da Economia em um evento em Brasília. Em tempo, o Manchester United pertence à família americana Glazer há mais de uma década. O ministro se equivocou. São outros os clubes ingleses com investimentos árabes.

A fala de Guedes vem na esteira da aprovação do projeto que permite que clubes de futebol brasileiros tenham sua estrutura alterada de entidades sem fins lucrativos para Sociedades Anônimas do Futebol, em agosto. O texto sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro prevê que, alterados os ditames da gestão dos clubes, as instituições — empresas societárias — teriam de adotar políticas de maior transparência das contas, gerenciamento e governança, além de ingressar em um sistema tributário próprio, perdendo algumas benesses, o que fez com que poucos clubes aderissem à ideia.

Na Europa, o modelo deu certo — e é rentável para empresas árabes que injetaram investimentos nos principais clubes do mundo. Clubes como o inglês Manchester United, citado por Guedes, e a italiana Juventus têm, inclusive, capital aberto e são listadas em bolsas de valores — os ganhos em campo e a gestão têm impacto direto no bolso dos acionistas. Desde o início da gestão de Jair Bolsonaro, Guedes defendia o projeto. Em 2019, porém, em dissonância com o conselho deliberativo do Athletico-PR, Landim já se mostrava contrário à proposta de transformar a gestão do clube em empresarial. Uma pena. Seria um golaço.

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