Estatais federais têm em agosto o primeiro superávit do ano
Resultado fiscal não é uma medida de lucro ou prejuízo, mas indica se as empresas estão gastando mais ou menos do que suas receitas
As estatais federais registraram, em agosto, um superávit fiscal de 1,759 bilhão de reais, de acordo com as estatísticas fiscais mensais do setor público divulgadas nesta quarta-feira, 30, pelo Banco Central. Trata-se do primeiro resultado positivo para o conjunto de estatais do governo federal em 2026, e apenas o nono mês em que isso aconteceu desde janeiro de 2023, início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
No acumulado do ano, o déficit delas é de 6,5 bilhões de reais e, em 12 meses, de 6 bilhões de reais. O resultado indica o que é chamado de necessidade de financiamento do setor público, que inclui os governos federal, estaduais e municipais, bem como de suas respectivas estatais. Para o caso das empresas, mostra o quanto as suas despesas ultrapassaram as receitas no período e, portanto, o quanto precisaram de recursos adicionais para cobrir os gastos, o que pode ser feito tomando dívida ou com recursos em caixa, por exemplo.
É uma metodologia diferente da contabilidade usada nos balanços tradicionais das empresas, o que significa que, no balanço fiscal que afere as contas públicas, possuir um déficit não significa necessariamente um prejuízo no resultado da empresa, tanto quanto um superávit não é certeza de lucro.
O resultado fiscal é, de toda maneira, um indicativo de quanto essas empresas estão gastando mais ou menos do que geram de receitas, e pesa também para o resultado final do governo – que, no caso do governo federal, ficou negativo, ou seja, houve um déficit primário de 14,7 bilhões de reais em agosto, quando considerado todo o governo central (que, além do governo federal, inclui também as contas do Banco Central e o INSS).
Nas estatísticas do setor público do Banco Central, é considerado apenas o setor não financeiro, o que significa que os bancos estatais, como Caixa Econômica Federal e BNDES, não entram na conta.
O conjunto das estatais também exclui a Petrobras e considera apenas as demais estatais que não são dependentes, isto é, que gerem seus negócios com receitas próprias e não com repasses do orçamento do Tesouro Nacional. É o caso de companhias como Infraero, Dataprev, Serpro e os Correios, que registram prejuízos contínuos em seus balanços desde 2022. Os dados do Banco Central, contudo, não detalham o resultado por empresa.







