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Especulações sobre escolha de Lula para a Economia ganham força no mercado

A discussão em torno de um possível governo petista lança os holofotes sobre potenciais candidatos ao comando da área econômica

Por Felipe Mendes, Victor Irajá, Luisa Purchio 25 set 2022, 08h00

Classificado em sétimo lugar no primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, com 1,2% dos votos válidos, o economista Henrique Meirelles não teve um desempenho exatamente brilhante no pleito. No entanto, durante o evento realizado na segunda 19, em que oito ex-candidatos à Presidência empenharam seu apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi ele quem roubou todos os holofotes. Presidente do Banco Central durante o primeiro governo de Lula, ministro da Fazenda de Michel Temer (MDB), coordenador do programa econômico da candidatura de João Doria (PSDB) antes de naufragar e afiliado ao União Brasil, Meirelles causou frisson ao aparecer na reunião. E imediatamente entrou para o elenco de personagens que alimentam as especulações em torno da estratégia econômica a ser adotada no caso de Lula e do PT voltarem ao poder.

O desembarque de Meirelles na campanha animou banqueiros e investidores frente à possibilidade de vê-lo na cadeira de ministro da Economia (ou da Fazenda, caso Lula cumpra a promessa de desmembrar o ministério criado por Bolsonaro para Paulo Guedes). Com isso, juntou-se a um espectro de nomes desejados pelo mercado que inclui o do próprio candidato a vice-presidente Geraldo Alckmin e de interlocutores de longa data de Lula, como o presidente do conselho de administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Josué Gomes da Silva. Um economista ligado a um grande banco ouvido por VEJA definiu de forma jocosa que o apoio do Meirelles foi “um Bilhete aos Brasileiros”, uma referência à famosa sinalização ao mercado feita em 2002 e batizada como “Carta ao Povo Brasileiro”. Dentro do núcleo duro da campanha, entretanto,o assunto não é encarado com brincadeiras. “A maneira como Meirelles defende o teto e a reforma trabalhista sem abrir possibilidade para atualizações ou reparos acaba confrontando muito com o discurso do próprio Lula”, diz um membro da área econômica da equipe.

PRECEDENTE - Palocci ao assumir ministério, em 2002: articulador durante a campanha -
PRECEDENTE – Palocci ao assumir ministério, em 2002: articulador durante a campanha – (Givaldo Barbosa/Agência O Globo)

À margem dos balões de ensaios, a disputa pelo principal cargo da economia em uma possível gestão petista segue em aberto e a decisão caberá unicamente a Lula, se e quando eleito. Em 2002 aconteceu algo semelhante quando se manteve uma forte onda de especulação até que a decisão acabou recaindo sobre Antonio Palocci, principal articulador da campanha entre o mercado e o empresariado. Na versão 2022, Lula não revela o que pensa para a pasta e ainda trata de confundir os observadores. Durante semanas, levou o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, a diversos eventos públicos para ajudar em questões de economia. Como ele está concorrendo em outra eleição, isso afasta especulações. Mas, dentro do PT, caso venha a perder a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, sua ida para a Esplanada dos Ministérios em um posto-chave é praticamente certa. “Pode funcionar para outros ministérios, como Casa Civil, por exemplo. Mas no caso da área econômica é complicado escalar um candidato derrotado para uma pasta importante”, diz um empresário que prefere não ser identificado.

Uma das raras pistas ventiladas por Lula a respeito do comandante da economia de um possível terceiro mandato é que seja um político ou um empresário influente, com trânsito nos grandes centros financeiros e em Brasília. Alckmin possui esses traços. A maior dificuldade é que, ao acumular o posto de vice, não seria passível de demissão. Nesse aspecto, o deputado federal Alexandre Padilha é um nome mais próximo do ideal. Em um evento recente de uma instituição financeira, em Washington, onde falou como representante da campanha petista, recebeu elogios de investidores pelo conhecimento das ideias de Lula e saiu com convites para realizar palestras semelhantes em outros bancos, como o Itaú. Em seguida, passou a reunir-se com empresários e figuras do primeiro escalão no mercado financeiro. Ele, no entanto, desconversa sobre um possível posto como chefe da Economia. “Lula é um político extremamente experiente, assim como é o governador Alckmin. Eles sabem que não se discute composição de ministério ou equipe antes de ganhar as eleições”, afirmou a VEJA.

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PROMESSA - Foco nos autônomos e nas domésticas: mudança nas leis trabalhistas -
PROMESSA - Foco nos autônomos e nas domésticas: mudança nas leis trabalhistas – (Cláudio Marques/Futura Press)

Com a disputa indefinida, a lista de candidatos se estende a um grupo de políticos petistas de destaque, liderados pelo ex-governador do Piauí, Wellington Dias, que recentemente defendeu um perfil mais centrista e menos petista para um futuro governo — o que é música para os ouvidos de financistas. No rol entram ainda ex-governadores como Jorge Viana, do Acre, e os baianos Jaques Wagner e Rui Costa. Banqueiros e empresários influentes já sopraram a Lula que muitos desses nomes seriam bem recebidos se acomodados em pastas que resultassem de um provável desmembramento do Ministério da Economia atual, como a da Indústria e Comércio e a do Planejamento, ou mesmo a Casa Civil ou a de Relações Exteriores.

Político de raro traquejo, Lula tem marcado a atual campanha à Presidência por ideias de impacto e promessas pontuais, mas sem avançar em como as executará. No plano de governo entregue no registro da candidatura ao TSE, com 21 páginas, não há menção a projetos como a isenção do imposto de renda para o trabalhador que ganha até 5 000 reais. O documento também não apresenta a fonte de recursos para bancar o acréscimo de 150 reais por criança com até 6 anos que é beneficiária do programa Auxílio Brasil, divulgado no horário eleitoral. Sobre a reforma trabalhista, o plano é propor uma mudança da legislação e dar “extensa proteção social a todas as formas de ocupação”, com atenção aos autônomos e trabalhadoras domésticas. Também há menção a uma proposta de reforma tributária “mais simples e progressiva”, cobrando dos mais ricos para colocar os “pobres outra vez no Orçamento”. Da mesma forma que faz com o nome do possível czar da economia, Lula desconversa ao ser perguntado sobre a execução de seus planos para o Brasil. Até aqui, tem demonstrado apenas um especial pendor para alimentar mistérios e especulações.

Publicado em VEJA de 28 de setembro de 2022, edição nº 2808

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