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Espanha pede que União Europeia acelere integração fiscal e bancária

Madri, 13 jun (EFE).- O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, anunciou nesta quarta-feira que a Espanha advogará na cúpula de líderes da União Europeia (UE), no fim de junho, por maior integração fiscal e bancária, e defendeu o empréstimo europeu para sanear os bancos espanhóis.

Em uma sessão parlamentar de controle do governo, Rajoy foi submetido pela oposição a uma bateria de perguntas sobre as condições e os detalhes do crédito de até 100 bilhões de euros aprovado no sábado passado pelo Eurogrupo.

O chefe do Executivo assegurou que a ajuda é necessária porque ‘neste momento’ a Espanha não dispõe da quantia ‘nem pode emitir dívida’ para obtê-la, e lamentou que o processo de saneamento dos bancos espanhóis não tenha acontecido há três anos.

Tanto Rajoy como seu ministro da Economia, Luis de Guindos, insistiram que se trata de um crédito destinado aos bancos espanhóis que precisem dele e que não implicará em novas condições econômicas ou ajustes adicionais.

Rajoy anunciou durante seu discurso que enviou uma carta aos responsáveis máximos das instituições europeias em que expõe a posição espanhola.

O chefe do Executivo anunciou a existência da carta, datada de 6 de junho, três dias antes de o Eurogrupo autorizar o crédito para recapitalizar os bancos espanhóis – e disse que a enviou aos presidentes da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho da UE, Herman von Rompuy.

A carta também será apresentada, segundo o chefe de governo, aos líderes de Itália, França e Alemanha na reunião que realizarão em 22 de junho em Roma, prévia à cúpula da União Europeia nos dia 28 e 29, em Bruxelas.

O texto contém as cinco contribuições que a Espanha quer fazer ao debate do Conselho Europeu programado para ocorrer Bruxelas, sobre a direção que deve tomar a integração europeia.

‘Acho que a Europa deve ter maior integração fiscal e bancária, apostando na resolução dos problemas de financiamento e de liquidez que neste momento estão afogando muitas economias, e em que tudo isso se debata e decisões sejam tomadas rapidamente’, defendeu hoje Rajoy.

O chefe do Executivo espanhol considerou que ‘neste momento, o mais urgente para resolver os problemas das economias da zona do euro é que exista muita clareza’ e que se assegure que ‘o euro é uma moeda irreversível’.

Na carta, assegura que a Europa ‘está atravessando a crise mais grave desde a criação do euro’.

E reivindica uma atuação ‘urgente’ do Banco Central Europeu (BCE), já que ‘a pressão está aumentando sobre muitos países’ de maneira ‘acelerada’ e o euro ‘está em risco’.

Rajoy assegura que o compromisso com a moeda única ‘exige que se vá em frente’ e que os líderes europeus deixam claro que ‘em médio prazo, a união reforçará sua arquitetura institucional comum’.

‘Isso, sem dúvida, significa avançar na integração ou, se os senhores preferem assim, na maior cessão de soberania, em particular nos âmbitos fiscal e bancário’, assinala a carta.

O documento especifica que significaria ‘criar uma autoridade fiscal na Europa que possa dar uma orientação à política fiscal na zona do euro, que harmonize as políticas fiscais dos Estados-membros e que permita um controle das finanças centralizado, além de ser a gerente da dívida europeia’.

No âmbito bancário, sustenta que ‘é necessário contar com uma supervisão em nível comunitário e um fundo de garantia de depósitos comum’.

Para o presidente espanhol, não é necessário tomar a decisão agora, ‘basta manifestar o compromisso com o objetivo e dedicar-se a trabalhar nisso para realizar um plano, um calendário e condições’.

O caminho para essa ‘união fiscal e bancária’ é, nas palavras de Rajoy, ‘um inadiável objetivo’ e a cúpula de finais de junho oferece uma oportunidade para isso.

Os chefes de estado e do governo da União Europeia realizarão o encontro, considerado de transição, em 28 e 29 de junho, depois dos resultados das eleições da Grécia no próximo domingo, quando concorrem forças políticas favoráveis a renegociar as condições do resgate, o que poderia pôr em risco a permanência do país no euro.

A Espanha sofreu fortes pressões dos mercados sobre sua dívida nos últimos dias, tensões que hoje alcançam também outros países da zona do euro, como a Itália. EFE