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Espanha paga juro recorde em papéis de dívida

Alta demanda por títulos reduz, no entanto, as tensões do mercado

Por Da Redação - 19 jun 2012, 15h32

A Espanha teve de pagar nesta terça-feira os juros mais altos de sua dívida pública desde 2000 para leiloar 3,039 bilhões de euros em papéis a curto prazo. Contudo, a alta demanda pelas letras do Tesouro espanhol relaxaram as tensões que o país sofreu nos últimos dias nos mercados.

Esse alívio teve reflexo na Bolsa de Valores de Madri, onde o índice Ibex-35 registrou alta de 2,67%, a quarta maior do ano. A taxa de risco fechou aos 551 pontos básicos, após ter concluído o pregão anterior em 574 pontos. O bônus de dez anos, no entanto, manteve-se acima de 7%.

Leilão – O Tesouro espanhol não teve problemas para leiloar 3,039 bilhões de euro em letras de doze e 18 meses ante a grande aceitação dos investidores. Viu-se, no entanto, obrigado a aplicar juros superiores a 5% – os mais altos desde a criação do euro.

A pressão sobre a Espanha não diminuiu nem com as notícias da vitória eleitoral dos partidos mais moderados da Grécia e partidários da permanência de Atenas na zona do euro nem com a ampliação para 456 bilhões de euros do firewall do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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Relaxamento – Uma vez encerrado o leilão desta terça-feira, houve, felizmente, um relaxamento das tensões. O custo extra que os investidores exigem pela compra de papéis da dívida espanhola em relação aos da Alemanha – títulos de referência na Europa – registrou ligeira moderação.

Segundo os analistas do Self Bank, a confiança na Espanha se enfraquece porque os empréstimos aos bancos – entre eles a linha de crédito de até 100 bilhões de euros aprovada pela zona do euro – computam como dívida para o país. Na Cúpula do G20 realizada nesta segunda e terça-feira no México, o chefe do Executivo espanhol, Mariano Rajoy, considerou “extremamente prejudicial” o mecanismo de ajuda aos bancos espanhóis porque vincula o risco bancário ao da dívida soberana.

O comissário de Concorrência da União Europeia (UE), Joaquín Almunia, não descartou nesta terça-feira uma potencial modificação do fundo europeu de resgate para incluir a recapitalização direta dos bancos. Em discurso à Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu, Almunia explicou que, “até agora, segundo as análises, não é possível com a legislação atualmente vigente, mas não se deve descartar que isso possa ser modificado então”.

O Ministério de Economia espanhol destacou a alta demanda do leilão desta terça-feira, apesar da atual situação dos mercados, assim como o fato de que os juros aplicados estão ainda abaixo da cotação atual de mercado desses títulos.

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(com EFE)

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