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Espanha diz que não pode ser resgatada por seu grande porte

Por Por Elodie Cuzin 5 jun 2012, 12h51

A Espanha – que tem estado cada vez mais na mira dos mercados, preocupados com sua situação bancária – deu nesta terça-feira um novo argumento para não pedir ajuda externa, ao afirmar que o país não é resgatável, no sentido técnico do termo, devido ao seu tamanho.

O país é a quarta economia da zona do euro, na qual representa 12% do PIB total, frente a 6% de Irlanda, Portugal e Grécia juntos. Os resgates desses três países custaram respectivamente 85, 78 e 292 bilhões de euros, o que permite calcular um custo muito mais elevado para Madri.

Após o resgate histórico de 23,5 bilhões de euros solicitado em maio pelo Bankia, terceiro banco do país em número de ativos, a Espanha está no centro das preocupações da Eurozona, já que os investidores temem que a nação não consiga fazer frente por si só a suas obrigações financeiras e tenha que pedir ajuda externa.

“Este não será o caso, porque, entre outras coisas, a Espanha não é resgatável, no sentido técnico do termo”, disse o ministro da Fazenda, Cristóbal Montoro, em uma entrevista a rádio Onda Zero.

A porta-voz do governo, Soraya Sáenz de Santamaría, reiterou sua mensagem otimista durante uma coletiva: “A Espanha lidera o esforço reformista na União Europeia e começa a ter esse esforço reconhecido”, disse.

Segundo Montoro, para fazer o que a Espanha está fazendo (voltar à estabilidade orçamentária através da reforma da Constituição, para sanear o setor bancário e reforçar o mercado de trabalho), não é preciso ajuda externa.

“O que precisamos é de mais Europa, mais mecanismos próprios de integração”, disse o ministro. “Nosso futuro está na Europa, no euro”, completou.

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Madri defende que o fundo de resgate europeu, o futuro MEE, possa recapitalizar diretamente aos bancos espanhóis, ainda que o suponha renunciar a parte de sua soberania fiscal: esta ajuda pontual estaria assim longe de um plano de resgate, que põe o país sob a tutela de instituições internacionais.

“Vemos como extraordinariamente acertada sua reflexão (da Comissão Europeia) sobre a necessidade de integrar a supervisão bancária, os fundos de garantia de depósitos e a criação de instrumentos para a capitalização direta dos bancos europeus”, declarou no sábado o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy.

Para que se realize a união bancária, a Espanha está inclusive disposta a ceder mais “soberania, em particular, no âmbito fiscal”, disse, defendendo uma “autoridade fiscal europeia” que levaria a “um controle centralizado das finanças”.

Enquanto que os analistas creem que a Espanha precisa de algo entre 60 e 200 bilhões de euros para recapitalizar a seus bancos, o ministro da Fazenda afirmou nesta terça-feira que a cifra que necessita o setor bancário espanhol para recapitalizar-se não é muito alta. “Não é uma cifra excessiva”, afirmou.

O montante dependerá do resultado que está sendo examinado por parte das agências classificadoras e também pelo FMI, que sairá logo.

O FMI entregará seu relatório no dia 11 de junho e, cerca de uma semana depois, as auditoras Roland Berger e Oliver Wyman tornarão públicas suas próprias auditorias.

Estas últimas consistem em uma avaliação geral dos balanços bancários da Espanha e de sua capacidade de resistência ante um cenário adverso”, especialmente uma profunda recessão, com um resultado que “será conhecido na segunda quinzena de junho”, segundo o Banco da Espanha.

Um segundo estudo, das auditoras Deloitte, KPMG, PwC e Ernst & Young, cifrará as necessidades do setor, debilitado por sua exposição ao setor imobiliário: avaliará “a deterioração dos ativos bancários” e as provisões previstas para fazer-lhe frente, cujos resultados serão conhecidos nos próximos meses”.

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