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Eólicas poderiam ajudar a economizar R$ 1 bilhão das térmicas

Elbia Melo, presidente da Abeeólica, afirma que o alívio financeiro não evitaria riscos de racionamento, que exigem investimento na diversificação da matriz de energia do país

Chamada de energia de butique por Dilma Rousseff antes de assumir a Presidência da República, a energia eólica tem aumentado a participação dentro da matriz energética brasileira nos últimos três anos. Atualmente com potencial de 2,5 gigawatts (GW), a energia gerada pela força dos ventos deveria ter um papel ainda mais relevante no Brasil. O que impede um avanço mais rápido é o atraso médio de 18 meses nas obras das linhas de transmissão no Nordeste – como a que ligaria 184 cataventos da Renova, que estão parados na Bahia desde julho do ano passado e só devem começar a funcionar no final de 2013. Se esse e outros parques de geração de energia estivessem em funcionamento, provavelmente o custo do acionamento das termelétricas seria menor – a economia estimada de outubro a abril chegaria a 1 bilhão de reais. No entanto, a eólica seria importante apenas no lado financeiro. A solução para o risco de racionamento não é apostar numa matriz de energia, mas na diversificação. “A saída de médio e longo prazo são usinas hidrelétricas com reservatório e as térmicas como reserva. As demais são energias sazonais”, diz Elbia Melo, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), que conversou com o site de VEJA.

O país esteve próximo do racionamento de energia neste ano?

O que se pode afirmar é que o país passou por dificuldade de fornecimento, considerando os níveis dos reservatórios, que estavam em patamares muito baixos na comparação histórica. A situação merece uma reflexão sobre a matriz de energia.

Os parques eólicos que ainda aguardam a instalação das linhas de transmissão poderiam minimizar esse problema?

A percepção de risco seria a mesma. Esses parques estariam gerando 300 MW a mais e o país está consumindo 15 GW de energia térmica em tempo integral. Por outro lado, as eólicas que já estão instaladas geraram para o sistema uma média de 560 MW de energia em 2012, e contribuíram bastante. Mas caso tivéssemos gerando 300 MW a mais haveria uma economia de 150 milhões de reais por mês nos gastos com combustível das térmicas, além de outros benefícios para o meio ambiente pela eólica ser uma energia limpa.

Qual é a saída para evitar a situação de risco de racionamento?

A eólica ajuda a melhorar o sistema de energia, mas não é a saída para o racionamento. A saída de médio e longo prazo é a diversificação da matriz, com usinas hidrelétricas com reservatório e as térmicas como reserva. As demais – eólica e solar, por exemplo – são renováveis, intermitentes e sazonais. Elas não são a solução de segurança. A prioridade para a geração é ter a termelétrica como fonte de reserva.

Neste momento, como está a instalação das linhas de transmissão que estão atrasadas?

As linhas de transmissão associadas à energia eólica são dos leilões realizados entre 2009 e 2010. Seja em parques instalados ou em instalação, o atraso médio é de 18 a 24 meses. Ou seja, os parques que deveriam entrar em operação em 2012 e 2013 vão levar esse tempo a mais para começar a transmitir a energia gerada.

Esse problema afastou o interesse de investidores pelas eólicas?

Não houve desconfiança porque a regulação brasileira deixou todos confortáveis. Todos os contratos tiveram direito a receita de geração, pois o atraso não foi por uma decisão deles. O aparato é bom e está sendo cumprido. O problema é que os gargalos de infraestrutura são maiores. É um processo de aprendizado que já teve efeito.

Qual é a probabilidade de haver uma repetição desses atrasos no futuro?

Não vão se repetir no futuro. Há uma nova configuração para os leilões de energia. O plano de expansão das linhas transmissão foi antecipado. Antes, primeiro ocorria o leilão de energia e depois o da transmissão. A partir de agora, primeiro vai ocorrer o leilão da expansão das linhas e depois o leilão dos parques eólicos.

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