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ENTREVISTA-Ferrous busca parceiro para financiamento com BNDES

Por Sabrina Lorenzi

RIO DE JANEIRO, 30 Jan (Reuters) – A Ferrous Resources, mineradora brasileira controlada por fundos de investimento internacionais, busca um parceiro que colabore para viabilizar financiamento de alguns bilhões de dólares para construir mineroduto e porto num dos maiores projetos de minério de ferro no mundo, disse à Reuters o presidente do conselho de administração da companhia, Jório Dauster.

A empresa, sediada em Belo Horizonte (MG), apresentou o projeto de logística ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas aguarda fechar parceria com sócio estratégico que disponha das garantias necessárias para a obtenção dos recursos, disse Dauster nesta segunda-feira.

“O BNDES conheceu o projeto, achou muito bom mas está proibido de emprestar dinheiro a uma empresa constituída por fundos porque basicamente fundos nao têm garantias a dar”, afirmou. “É por isso que buscamos um consórcio, uma empresa ou mais empresas que tenham condições de nos ajudar em um financiamento de longo prazo”, acrescentou o executivo.

O projeto da Ferrous, necessário para escoar 25 milhões de toneladas anuais de minério de ferro em sua primeira etapa, tem custo estimado de 5 bilhões de dólares.

Detentora de cinco ativos minerários no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, maior região produtora do país, a empresa pode acrescentar mais dois bilhões de toneladas de minério aos já estimados 5,3 bilhões de toneladas em reservas, segundo estudos geológicos realizados recentemente.

META DE RÁPIDO CRESCIMENTO

Se realizar a meta de vender para mercados internacionais a um ritmo de 25 milhões de toneladas em 2014, e 62 milhões de toneladas anuais em 2016, se tornará uma das quatro maiores exportadoras do mineral no mundo, disse Dauster.

O projeto de logística prevê a construção de um terminal portuário no Espírito Santo e de um mineroduto de 400 quilômetros que atravessará 22 municípios.

“Já temos licença provisória para erguer o mineroduto em 97 por cento de todo o trajeto. Não usamos desapropriação”, afirmou o executivo, que foi presidente da Vale no final dos anos 90.

O espaço para transportar minério na única ferrovia disponível é disputado e custa mais de dez vezes o que custaria se fosse escoado por mineroduto, lembrou Dauster.

Criada há quatro anos, a Ferrous é constituída por vários fundos de investimento. A produção atual é de 2 milhões de toneladas, podendo chegar a 4 milhões de toneladas neste ano.

Para angariar fundos para este projeto a empresa já tentou realizar duas vezes uma oferta pública de ações, mas não encontrou condições atraentes nem investidores suficientes para fechar negócio.

BHP E CHINESES NO PÁREO

Dauster não descarta uma nova tentativa de IPO, mas sinalizou que a solução mais provável para angariar recursos é a parceria com uma empresa capaz de oferecer garantias bancárias para um financiamento, que pode ser do BNDES ou de outro banco de fomento.

Sem querer antecipar negociações e conversas que já estão ou estiveram em andamento, Dauster disse que há potencial para fechar negócio com siderúrgicas e construtoras, bem como outras mineradoras, brasileiras ou estrangeiras. Empresas chinesas também são bem-vindas, disse ele.

A BHP Billiton, a maior mineradora do mundo, é uma das várias empresas que negociam uma parceria estratégica com a Ferrous Resources, disseram recentemente fontes familiarizadas com o negócio. As fontes disseram que compradores chineses também têm manifestado interesse na companhia.

Em 19 de janeiro, a agência de notícias Bloomberg publicou que a Ferrous Resources teria feito uma proposta para assumir o controle da mineradora MMX, controlada por Eike Batista.

Questionada, a MMX sinalizou que existiu proposta, mas que não houve interesse de sua parte.

“A MMX não tem qualquer interesse no projetado negócio”, informou a empresa de Eike.

Dauster não comentou as informações acima.

Ferrous e MMX possuem importantes minas de minério de ferro na mesma região, de Serra Azul, no município de Brumadinho e arredores, em Minas Gerais.

O analista Marco Assumpção, do Itaú BBA, avalia que a Ferrous deve continuar procurando um sócio que a ajude a promover a logística necessária para escoar o minério de ferro. Rafael Weber, da Geração Futuro, lembrou recentemente que a MMX tem contrato de transporte de minério com a MRS, que opera a ferrovia por onde o produto é escoado.