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Entrada de dólar via exportação é a menor em 18 meses

Por Fernando Nakagawa

Brasília – O dólar acima de R$ 2 não é, necessariamente, a garantia de aumento da entrada de dólares via comércio exterior. Dados do Banco Central (BC) sobre o fluxo cambial revelam exatamente o contrário: mesmo com as cotações na casa de R$ 2 há várias semanas, o ingresso da moeda estrangeira pela mão dos exportadores é a mais baixa desde janeiro de 2011, quando a moeda norte-americana era trocada de mãos por valores perto de R$ 1,60.

Levantamento feito pela Agência Estado revela que exportadores foram responsáveis pela entrada média de US$ 733,29 milhões a cada dia útil nas duas primeiras semanas de junho, até o dia 8. O valor é 27% menor que a média vista em maio (US$ 1,008 bilhão) e o valor mais baixo desde janeiro de 2011, quando o valor estava em US$ 717 milhões.

Mais interessante ainda é notar que em maio, quando a divisa chegou ao simbólico patamar de R$ 2, a entrada média de dólares via exportações caiu 41,7% na comparação com abril, época em que a divisa ainda estava no nível de R$ 1,80. Ou seja, em movimento inverso, o dólar subiu e a média diária de entrada de dólares via exportadores caiu.

Essa menor entrada de dólares via comércio exterior é mais notada na linha de crédito conhecida como “Pagamento Antecipado”. Nessa operação, a média diária de junho está em US$ 90 milhões, o pior desempenho desde janeiro de 2011 e que sinaliza queda de 45% contra maio. No mês passado, o volume médio já havia recuado 43% ante abril. Esse tipo de financiamento, vale lembrar, foi alvo de restrições por parte do Banco Central em março e passou a ter prazo limitado a 360 dias.

Em outra linha tradicional de crédito aos exportadores, o Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC), a média diária de junho soma US$ 193,45 milhões, em queda de 7% na comparação com maio e o menor valor desde dezembro do ano passado. As outras operações para ingresso de dólar dos exportadores tiveram média diária de US$ 449,8 milhões no início de junho, com recuo de 29% ante maio.