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Entidades ‘saem do armário’ e assumem apoio ao impeachment

Associação Paulista de Supermercados, Fiesp e bancada ruralista na Câmara já oficializaram defesa à saída da presidente Dilma. OAB deve manifestar apoio nesta sexta

O agravamento da crise política, após as manifestações de domingo e a divulgação das gravações telefônicas entre Dilma e Lula, tem motivado entidades da sociedade civil a oficializar apoio à saída da presidente. A última delas foi a Associação Paulista de Supermercados (APAS), que classificou como uma “afronta à população brasileira” os últimos desdobramentos, que incluem a nomeação do ex-presidente como ministro-chefe da Casa Civil.

“Nosso setor já superou diversas crises econômicas, mas nunca vivenciamos um cenário político tão caótico, mediante às denúncias que crescem a cada dia, às tentativas infundadas do governo em mascarar o óbvio e à crescente insatisfação da população”, afirmou a associação de supermercados, em nota à imprensa. A entidade acredita que o impeachment da presidente é o “único caminho viável” no curto prazo para que o país retome uma trajetória de crescimento.

Nesta sexta-feira, também é esperado que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) declare apoio formal ao impeachment. Segundo a coluna Radar On-line, desde a semana passada as bases da entidade vêm sendo consultadas e o apoio à saída da presidente é quase uma unanimidade.

Outra importante entidade, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), já havia formalizado em dezembro do ano passado o apoio ao impeachment. À época, a organização divulgou um levantamento feito com 8.395 empresários, dos quais 91% eram favoráveis à saída da presidente.

A Fiesp foi, inclusive, um dos pontos de concentração de manifestantes, que se reuniram para protestar desde a última quarta-feira. Eles foram dispersos nesta manhã, após quase 40 horas de protesto, pela Tropa de Choque da Polícia Militar. O motivo são os atos a favor da presidente que já estavam agendados para esta sexta-feira. Ontem, cerca de 300 federações, associações e outras entidades que representam milhares de empresas estiveram presentes para encampar a bandeira do impeachment.

O SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) também divulgou nota nesta quinta-feira, mas sem citar explicitamente o apoio ao impeachment. A entidade “conclama as lideranças responsáveis da nação a evitarem que o acirramento dos ânimos sabote o trabalho das instituições que alicerçam o Estado Democrático de Direito, na busca de superação da crise de governabilidade instaurada”.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) foi na mesma linha. Em nota, declara apoio a “a todos os que lutam pela democracia e contra a corrupção que manchou a história do nosso país”. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) cobra uma solução urgente para tirar o país da crise política e econômica. “A indústria nacional não pode aceitar que disputas e desavenças políticas se sobreponham aos interesses maiores da nação”, diz.

Na semana passada, até a rede de lanchonetes Habibi’s se engajou na causa, ao lançar a campanha “Fome de Mudança”. Entre as ações, estiveram o uso de hashtag nas redes sociais, lojas decoradas de verde e amarelo e cartazes coloridos. O principal motivo da ação publicitária era convocar os consumidores a irem às ruas no último domingo. O grupo empresarial, que também controla também a rede Ragazzo, tem mais de 22 mil funcionários e 430 lojas no país.

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Congresso – Na Câmara dos Deputados, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), mais conhecida como “bancada ruralista”, também decidiu apoiar o impeachment da presidente. No total, 215 deputados compõem a bancada. A decisão foi tomada logo após a divulgação de que Lula assumiria a Casa Civil.

Com quórum suficiente, o presidente da Casa, Eduardo Cunha, abriu sessão nesta manhã para acelerar o rito do impeachment. A comissão que analisará o processo foi instalada nesta quinta-feira. A partir de agora, a presidente Dilma deve apresentar defesa num prazo de dez sessões. Depois disso, a comissão decide se instaura ou não o processo dentro de um prazo de mais cinco sessões.