Entenda o que o mercado financeiro quer de Flávio Bolsonaro
Economista fala sobre entrevista de Daniella Marques à Veja
A entrevista da economista Daniella Marques na páginas amarelas de Veja foi recebida com ressalvas pelo mercado. Na avaliação de Felipe Cima, especialista da Manchester Investimentos, os agentes financeiros veem a necessidade da indicação de nomes que poderão integrar a equipe econômica caso Flávio Bolsonaro saia vencedor nas eleições.
Daniella Marques
Daniella é uma das formuladoras do programa de governo do pré-candidato. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal afirmou na entrevista que, caso ele seja eleito, a prioridade será o controle dos gastos públicos.
Ela também fez duras críticas à condução da economia pelo governo Lula, dizendo que o país caminha para um “abismo econômico”. Daniella ainda é apontada como um dos principais nomes para assumir o Ministério da Fazenda ou até compor a chapa presidencial no lugar de vice.
Menos promessas, mais entendimentos
As declarações reforçam um movimento que o mercado acompanha de perto: mais do que promessas de campanha, investidores querem entender quem comandará a política econômica e qual será a estratégia para enfrentar o desafio fiscal dos próximos anos.
Contas públicas
A discussão sobre responsabilidade nas contas públicas voltou a ganhar protagonismo diante do crescimento da dívida e das dúvidas sobre a sustentabilidade do orçamento.
Felipe Cima diz que o mercado busca sinais de que o próximo governo, independentemente de quem vença a eleição, consiga colocar a dívida pública em trajetória descendente, estabilizar os preços e apresentar um novo arranjo fiscal que restabeleça confiança nas contas públicas.
O dilema das campanhas
Cima observa, porém, que esse é justamente o maior dilema das campanhas. Medidas vistas como positivas pelos investidores, como uma revisão mais profunda da Previdência, mudanças na política de valorização do salário mínimo ou regras fiscais mais rígidas, costumam ser impopulares e podem afastar eleitores.
Por isso, muitos candidatos evitam detalhar propostas mais sensíveis antes da disputa ganhar intensidade.
Equipe econômica
Na visão do especialista, a estratégia mais eficiente neste momento é outra: indicar quem fará parte da equipe econômica. “A indicação de nomes gera muito mais previsibilidade do que antecipar propostas que podem causar desgaste político durante a campanha”, afirma.
Para ele, profissionais conhecidos pelo mercado ajudam a reduzir incertezas mesmo antes da apresentação completa de um plano de governo.
Nomes conhecidos
Felipe Cima também destaca que a aproximação de nomes com boa interlocução junto ao mercado financeiro e à diplomacia internacional funciona como uma sinalização positiva aos investidores.
Segundo ele, esse movimento reduz o receio de indicações exclusivamente políticas para áreas estratégicas e transmite maior confiança sobre a condução da economia em um eventual novo governo.
Entrevista
A entrevista de Daniella Marques ai além das críticas ao governo atual. Ela reforça um debate que deve acompanhar toda a campanha eleitoral: o mercado quer conhecer menos os slogans e mais as pessoas que terão a missão de conduzir a economia.
Em um cenário de incertezas fiscais e crescimento moderado, a composição da equipe pode pesar tanto quanto o próprio programa de governo.







