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Empresas que apostavam na alta do dólar correm para evitar prejuízos

Nos últimos dias, mercado foi inundado,com operações de empresas que agora acreditam que a moeda americana continuará sua trajetória de queda

O mercado financeiro foi inundado, nos últimos dois dias, com operações de empresas que apostavam na alta do dólar para este ano e agora já acreditam que a moeda americana continuará sua trajetória de queda, na medida em que a votação do impeachment da presidente Dilma se aproxima. Para tentar evitar prejuízos em seus balanços, mudaram de posição na bolsa. Somente na terça-feira, a BM&FBovespa registrou 2,6 bilhões de dólares de vendas líquidas de posição “comprada” de dólar dessas companhias, ou seja, de apostas na desvalorização da moeda americana, em um movimento totalmente atípico.

Quando o mercado é inundado de dólares dessa forma, a tendência é que a moeda caia fortemente. Para segurar esse movimento, o Banco Central (BC) também entrou no mercado. Em dois dias, leiloou mais de 13 bilhões de dólares em swaps cambiais, as maiores atuações desde 2005.

Na prática, essa movimentação do BC fez com que o dólar permanecesse quase estável. Tirou assim a volatilidade do mercado e ainda evitou que as empresas perdessem mais dinheiro com a queda do dólar. Um executivo de um importante banco estrangeiro diz que sem o BC, na terça-feira, o dólar poderia teria batido em 3,30 reais.

De acordo com operadores de mercado, essa corrida não é feita por empresas que buscam “hedge” cambial, ou seja, proteção das variações do dólar. É um movimento típico de quem está apostando ou na alta ou na queda de um preço na bolsa, usando o que é chamado no mercado de “derivativo”. Normalmente, são grandes empresas com experiência de atuação direta no mercado financeiro que operam dessa forma.

Um dos grupos que mais lucrou com o câmbio no ano passado foi o JBS, a maior empresa de proteína animal do mundo e dona da Friboi. Os ganhos superaram os 10 bilhões de reais, segundo informou em seu balanço, fazendo operações no mercado de dólar. Mas, com a mudança de rumo das cotações, essas mesmas operações, se mantidas, poderiam trazer prejuízos ao grupo.

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(Com Estadão Conteúdo)