Empresas listadas na B3 avançam em diversidade, mas inclusão racial ainda é desafio
Levantamento da B3 com o Instituto Locomotiva mostra avanço na participação feminina em conselhos e diretorias
Oito em cada dez empresas listadas na bolsa brasileira atendem aos critérios de diversidade previstos no Anexo ASG da B3 em 2026. Segundo um levantamento realizado pela B3 em parceria com o Instituto Locomotiva, com base em dados de 290 companhias, mostra que 83% delas têm pelo menos uma mulher ou integrante de grupo sub-representado no conselho de administração ou na diretoria estatutária.
O estudo, chamado “Lideranças Plurais”, considera como grupos sub-representados pessoas pretas, pardas ou indígenas, integrantes da comunidade LGBTQIA+ e pessoas com deficiência. Os dados foram obtidos a partir dos Formulários de Referência, documentos públicos apresentados anualmente pelas companhias abertas.
A presença de integrantes desses grupos na alta gestão aumentou em relação a 2025. Nas diretorias estatutárias, o percentual de empresas com pelo menos uma pessoa de grupo sub-representado passou de 52% para 59%. Nos conselhos de administração, o índice avançou de 69% para 73%.
Mulheres ampliam presença na alta liderança
A participação feminina apresenta os maiores avanços entre os indicadores analisados. Em 2026, 70% das empresas pesquisadas têm pelo menos uma mulher no conselho de administração, maior percentual desde o início da série histórica, em 2021, quando o índice era de 55%.
Nas diretorias estatutárias, 51% das companhias contam com pelo menos uma mulher. O resultado também é o maior registrado desde o início do monitoramento e representa uma alta em relação aos 39% observados em 2021. “Os resultados mostram uma evolução relevante, mas ainda há desafios importantes a serem enfrentados”, afirma Renata Caffaro, diretora de pessoas e comunicação interna da B3. Segundo ela, a diversidade nas posições de liderança contribui para ampliar a pluralidade de perspectivas, melhorar processos de decisão e fortalecer a capacidade das empresas de atrair e reter talentos.
Apesar da evolução na presença feminina, os dados mostram uma diferença significativa quando o recorte é racial. Apenas 23% das empresas listadas declaram ter pelo menos uma pessoa parda na diretoria estatutária, enquanto somente 2% reportam a presença de uma pessoa preta nesse órgão. Em 2023, quando esses dados passaram a ser incluídos nos Formulários de Referência, os percentuais eram de 11% e 2%, respectivamente.
Nos conselhos de administração, 18% das companhias informam ter pelo menos uma pessoa parda e 5% contam com uma pessoa preta. Em 2023, os índices eram de 9% e 4%. “Para que a diversidade se aprofunde nas grandes empresas, é fundamental que ela chegue aos espaços em que as decisões estratégicas são tomadas, e que essa trajetória seja consistente e duradoura”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
Pessoas com deficiência são minoria na alta gestão
A representatividade de pessoas com deficiência também permanece baixa. Os dados passaram a ser reportados de forma estruturada nos Formulários de Referência em 2025.
Em 2026, apenas 3% das companhias analisadas declararam ter pelo menos uma pessoa com deficiência no conselho de administração. Nas diretorias estatutárias, o percentual foi de 4%. No ano anterior, ambos os órgãos registravam 3%. Para Flávia Mouta, diretora de listagem e relacionamento da B3, o mercado de capitais também tem papel na evolução das práticas de diversidade e inclusão das companhias.
O estudo também analisou especificamente a Medida ASG 1, que considera a presença de uma mulher e de um integrante de outro grupo sub-representado no conselho de administração ou na diretoria estatutária. Nesse recorte, foram consideradas as 100 companhias que integram o IBrX 100, índice formado por ações de maior liquidez e representatividade no mercado brasileiro.
Das 100 empresas, 61 atendem aos dois critérios estabelecidos pela medida. Entre as 39 que não cumprem ambos os requisitos, 32 possuem mulheres na alta gestão, três contam com integrantes de outros grupos sub-representados e duas não possuem mulheres nem pessoas de grupos sub-representados nos conselhos ou diretorias.







